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Açúcar: Mercado

O preço do açúcar e as incertezas no setor sucroalcooleiro


Estado de Minas - 08 jul 2013 - 17:46
O setor sucroalcooleiro e o mercado mundial
Começa a safra da cana e com ela toneladas de incertezas. E não se trata aqui de preços, porque em verdade já vimos níveis bem mais baixos. Em abril de 1999, por exemplo, após a desvalorização do real, os preços caíram para US$ 0,0436 centavos de dólar por libra peso, enquanto o custo de produção de açúcar devia estar em torno de US$ 0,06 por libra peso (FOB/Santos).

Preços, já vimos piores. A questão agora é de perspectiva, do futuro que temos e como enfrentá-lo. Se hoje temos uma frota de veículos flex invejável com potencial de consumo que pode chegar a demandar uma produção de cana adicional, a cada ano, de 30/35 milhões de toneladas, por outro temos um governo que mais atrapalha do que ajuda com sua política de manter controlado/congelado o preço da gasolina ao consumidor, usando esse mecanismo anacrônico como instrumento de controle da inflação, mas tendo como efeito nefasto o afastamento de qualquer possibilidade de investimentos, tão necessários para o crescimento do setor.

A moagem do Centro-Sul atingiu, de acordo com divulgação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), um volume de 116 milhões de toneladas moídas. A média percentual de moagem das cinco últimas safras, no acumulado do mesmo período, comparada ao volume final de produção dos respectivos anos, foi de 18,67%. Desse modo, o volume final da safra 2013/ 2014 seria de 620 milhões de toneladas. No entanto, nossas estimativas dão conta de 2% abaixo dos números do mercado, que estão na casa de 590 milhões de toneladas.

No fim de junho, as commodities apresentaram quedas vertiginosas. O açúcar até que se saiu bem, com redução de apenas 0,7%. Mas a soja caiu 1,5%, o café 2,3%, suco de laranja 3,4%, petróleo 4% e algodão 6,5%. Já no acumulado do ano, café e açúcar lideram as perdas, com 16,9% e 13%, respectivamente.

O cenário macro mundial foi largamente influenciado pela decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) enxugando lentamente o mercado e, consequentemente, provocando uma valorização da moeda americana. Lembram quando a presidente Dilma Rousseff e ministro Guido Mantega reclamaram do excesso de liquidez no mercado que valorizava o real e prejudicava as exportações brasileiras? Pois é. Agora a situação se inverteu, muitos economistas refizeram suas projeções e já colocam o dólar a R$ 2,30 para o fim do ano. Com isso, teremos consequências no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) – para baixo – e na taxa de juros – para cima.

GATILHO

A desvalorização do real que chegou ao nível mais baixo dos últimos quatro anos, pode ter acionado o gatilho para que algumas empresas aproveitassem o overshooting (a aceleração da desvalorização da moeda, muitas vezes movida pela percepção de aumento de risco) e fizessem a proteção em parte da produção para o próximo ano safra, aproveitando os valores altos convertidos em reais.

Por isso, para as usinas, apesar da queda do preço do açúcar no mercado internacional, a desvalorização do real mais do que compensou a menor receita em dólares. Os valores em reais obtidos com o fechamento do dólar e do açúcar, na última semana, são os maiores desde o fim de janeiro. A desvalorização foi boa também para os fundos que tiveram o benefício do cenário macro. Para as usinas endividadas em dólares, a semana aumentou o débito.

Para o etanol, o real mais fraco significa que a Petrobras deve importar petróleo mais caro, piorando seu fluxo de caixa, agravando ainda mais sua situação financeira e contando com zero de possibilidade de repasse do custo maior de importação para o consumidor, em função, de novo, do atual clima político. Para tentar minorar esse problema, a solução é usar mais etanol anidro na mistura e construir um estoque estratégico de hidratado.

Para as usinas, muda muito pouco o dólar mais alto quando se trata de produzir etanol, já que assumimos que desvalorizações maiores deverão impactar as cotações de açúcar na Bolsa de Nova York, de tal modo que os valores percebidos em reais praticamente ficam inalterados. O que deve impactar o etanol é a maior demanda provocada pela política de compra de petróleo mais barato e controle dos preços da gasolina no mercado interno. Dessa forma, acreditamos que a mistura para o etanol deva ser maximizada. Para se ter ideia, nossas estimativas para a safra 2013/2014 aponta 45,6% de açúcar e 54,4% de etanol. Claro que isso pode mudar. Cada ponto percentual na redução da mistura pró-etanol reduz a produção de açúcar em aproximadamente 800 mil toneladas e afeta diretamente os preços do açúcar.

Arnaldo Luiz Corrêa
Gestor de riscos de commodities agrícolas, diretor da Archer Consulting e especialista no setor sucroalcooleiro.

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