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Açúcar: Mercado

Preço de açúcar deve continuar em recuperação, afirma FCStone; previsão é de déficit na safra global


Agência Estado - 25 jan 2019 - 11:34

As cotações do açúcar no mercado internacional devem continuar em recuperação no primeiro trimestre deste ano, principalmente por causa da reversão do balanço internacional de oferta e demanda pelo produto. A avaliação é da consultoria INTL FCStone, em seu relatório trimestral de perspectivas, divulgado hoje.

Conforme a consultoria, o balanço deve sair da situação de superávit registrado na safra global 2017/18 (outubro-setembro) para déficit – projetado pela INTL FCStone em 700 mil de toneladas para a temporada 2018/19. “Com isso, os estoques globais devem voltar a se retrair, abrindo espaço para a valorização do açúcar”, informa o analista João Paulo Botelho.

O déficit é puxado por uma forte quebra de safra de beterraba na Europa, provocada pelo clima adverso. Além disso, a produção na Índia e na Tailândia deve cair também em virtude de problemas climáticos, aliados à redução na área plantada (no caso da Tailândia).

O déficit projetado para 2018/19, entretanto, não é nem de longe suficiente para reverter o forte aumento dos estoques na safra anterior (+9,4 milhões de toneladas). “Com isso, parte do movimento recente de alta é resultado também da expectativa de que os estoques globais de açúcar se mantenham em queda no próximo ano”, estima a FCStone.

Caso se confirme a perspectiva de recuperação nos preços do açúcar, as usinas do Centro-Sul do Brasil devem atuar como fiel da balança do mercado internacional a partir do início da safra local, que ocorre oficialmente em abril, estima Paulo Botelho. Isso porque os produtores da região têm uma combinação única de características: capacidade de direcionar a matéria-prima para a produção de açúcar ou etanol a depender da relação de preços entre os dois e volume de produção suficiente para alterar significativamente a oferta global do produto.

“É possível que a paridade entre o açúcar e o etanol no Brasil acabe limitando o potencial de alta do adoçante, uma vez que uma relação muito favorável a este pode incentivar o aumento de sua produção pelas usinas locais, reduzindo assim o déficit global da commodity”, relata o analista.