Açúcar: Mercado

Paraná volta a produzir mais açúcar; para Alcopar, fim da barreira chinesa tem alcance limitado


Money Times - 25 mai 2020 - 08:26

Enquanto observam a China retirar as salvaguardas contra o açúcar brasileiro e fazem as contas para a safra seguinte, as usinas paranaenses confirmam que voltaram à tradição de produzir mais a commodity do que etanol.

Os ganhos com o açúcar ajudam as usinas contra as pressões sobre o ciclo 2020/21. Mas não muito. Para o presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Miguel Tranin, o real depreciado – que favorece as exportações de açúcar –, por outro lado, penaliza os produtores na compra de fertilizantes.

De acordo com ele, se a China comprar mais açúcar do mercado brasileiro, há uma maior chance para o açúcar obter ganhos na bolsa de futuros. Mas esta não é uma equação tão simples e de efeito relativamente curto nos embarques, admite Tranin.

A cota chinesa é de 1,9 milhão de toneladas e o Brasil exportou pouco mais de 890 mil toneladas na temporada 2019/20, com um 15% de tarifa de importação. O fim da barreira, que atende negociação com o Brasil para evitar uma disputa na Organização Mundial de Comércio, faz com que a taxação para volumes que superem a cota seja de 50%, ante os 95% cobrados até então.

Mesmo com a redução, a taxa segue elevada na percepção de Tranin. Para ele, dificilmente os exportadores brasileiros superarão os embarques acima do limite. Inclusive, será difícil até mesmo ultrapassar o volume do ano passado.

Em primeiro lugar, ele explica que há a desaceleração econômica chinesa criada nos três meses de pico da pandemia do novo coronavírus. De acordo com informações do próprio governo chinês, a recuperação será lenta.

Além disso, a China já fez acordo para a compra de açúcar da Índia, que está enviando 3 milhões de toneladas para o país.

Para completar, o presidente da Alcopar relata que a China está investimento em projetos de irrigação na África, o que inclui uma série de produtos. O objetivo é aumentar a produção própria em caráter multinacional, como já acontece no Brasil, com a presença da Cofco.

“A estratégia chinesa é diminuir o grau de dependência de vários países, aumentar a concorrência entre eles e ir aos poucos aumentando sua produção própria”, acrescenta Miguel Tranin.

Giovanni Lorenzon


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