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Açúcar: Mercado

OIA eleva projeção de superávit mundial de açúcar para 5,153 mi t em 2017/18

Relatório da instituição detalha relação de oferta e demanda no mercado mundial de açúcar, além de comentar a situação dos estoques, dos preços e as perspectivas iniciais para as próximas temporadas


Agência Estado - 01 mar 2018 - 09:17

A Organização Internacional do Açúcar (OIA) elevou hoje sua projeção para o superávit mundial da commodity para 5,153 milhões de toneladas para a safra 2017/2018, que teve início em outubro do ano passado e se encerra em setembro deste ano. Em novembro, a estimativa da entidade era de que a produção superaria o consumo em 5,034 milhões de toneladas. A nova previsão foi divulgada há pouco por meio do Relatório Trimestral Market Outlook.

"A revisão não alterou nossa visão inicial da situação global de oferta e demanda", comentou a instituição no documento. Conforme a OIA, a produção mundial de açúcar deve atingir recorde de 178,698 milhões de toneladas na safra atual 2017/2018.

Pelos cálculos da entidade, que tem sede em Londres, o aumento da oferta no ciclo será acentuada, em mais de 6%, ou 10,470 milhões de toneladas em relação à safra anterior. Há a expectativa de "ganhos de produção maciços" na China, na União Europeia e na Índia. Para a Tailândia, em especial, a expectativa é de produção recorde.

O volume global inédito de abastecimento se dará, de acordo com a OIA, apesar de uma queda "significativa" da oferta projetada para o Brasil, o maior produtor e exportador mundial da commodity. Segundo a Organização, os usineiros têm preferido transformar a cana em etanol, e não apenas em açúcar por causa das condições de preços de ambos produtos.

Já sobre a demanda, a instituição considera também um aumento, mas menor, de 1,62% na safra atual, o que equivale a 173,545 milhões de toneladas de açúcar. "Apesar da crescente produção nos países exportadores, a disponibilidade mundial de exportação não deverá aumentar significativamente por causa de uma grande reformulação dos estoques projetada para vários exportadores", considerou.

Na conta da entidade, a posição dos estoques mundiais dos vendedores está em 60,901 milhões de toneladas. No caso da demanda, a expectativa é a de que a importação diminua para 57,335 milhões de toneladas. "Assim, a nossa segunda projeção ainda mostra um significativo superávit comercial global de 3,627 milhões de toneladas por ano (a diferença entre antecipação de exportações e importações)", observou a entidade. No momento, a OIA espera que os estoques finais cresçam em 1,587 milhão de toneladas ante o ciclo anterior.

Fase de excedentes continua

A OIA ainda apontou que os primeiros sinais do mercado levam a entender que haverá uma "alta probabilidade" de a fase atual de excedente da produção mundial de açúcar durar mais do que uma temporada. "O superávit global pode ser até mesmo um pouco maior do que foi assumido nos estágios iniciais da safra", cogitou a instituição.

A Organização lembrou que no relatório de novembro já havia sugerido que mesmo um aumento da participação do etanol no mix de produção brasileira poderia apenas conseguiu reduzir o excedente mundial em 2018/19 em vez de levar o abastecimento mundial de açúcar a um déficit até pelo menos meados de 2019. O País é o maior produtor e exportador da commodity.

"Ainda acreditamos que a fotografia principal da atualidade não parece promissora e o aumento sustentado dos valores do mercado mundial parece bastante improvável", avaliou. Desde novembro, a OIA vem ressaltando que os fundamentos 2017/18 não apoiam uma alta dos preços mundiais. A queda de 20 centavos de dólar por libra-peso em janeiro de 2017 para o nível atual, abaixo de 14 centavos de dólar por libra-peso, são a confirmação disso, conforme a Organização.

O relatório salientou que, mesmo quando os Estados Unidos aumentaram as taxas de juros e implementaram a reforma tributária, favorecendo empresas e o crescimento econômico, o dólar caiu, com a fraqueza associado a uma recuperação da economia global – com maior crescimento na zona do euro e em mercados emergentes. O preço diário do açúcar (ISA) diminuiu quase 5%, com a apreciação do euro e do Baht tailandês, segundo a entidade.

Preços estagnados

Ainda conforme o documento, o ISA variou de 13,27 centavos de dólar por libra a 15,37 centavos de dólar por libra nos últimos três meses. O índice de preços do açúcar branco (ISSO) também ficou confinado dentro de um intervalo de US$ 352,40 por tonelada a US$ 398,40 por tonelada nesse mesmo período.

"Desde o nosso último Market Outlook trimestral de novembro, os preços do mercado mundial permaneceram bloqueados em uma faixa relativamente estreita estabelecida no segundo semestre de 2017", considerou a OIA.

Célia Froufe
Com edição novaCana.com

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