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Açúcar: Mercado

Com moagem recorde e retração no consumo do ciclo Otto, Copersucar está cautelosa

Para 2016, trading aposta em retração no consumo do ciclo Otto e 20 milhões de toneladas de cana de moagem adicional direcionada toda para o açúcar


novaCana.com - 18 jan 2016 - 09:57

Considerada a maior trading do setor de açúcar, a Copersucar divulgou suas expectativas para a próxima safra, que se inicia em abril para as usinas do Centro-Sul. Considerando a atratividade das cotações da commodity, a expectativa da empresa é que a moagem comece cedo e se aproveite da cana bisada resultante do excesso de chuvas observado na safra atual.

Em entrevista ao Valor Econômico, a Copersucar estimou que o volume de cana bisada fique entre 25 milhões e 30 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, a expectativa é que a safra 2016/17 tenha 20 milhões de toneladas moídas a mais em relação ao período atual – já considerado recorde –, chegando a 625 milhões de toneladas.

De acordo com o presidente do conselho de administração da Copersucar, Luís Roberto Pogetti, contudo, o clima pode afetar esses números. Segundo o Valor Econômico, as estimativas da Copersucar dependem do fenômeno La Niña, que deve suceder o El Niño a partir de abril. O resultado seria um clima mais seco no segundo trimestre do ano, quando efetivamente começa a moagem na região Centro Sul.

Caso isso não se confirme, o cenário assume um viés mais altista para os preços, pois as chuvas atrapalharão a colheita, provocando uma restrição maior na oferta. Isso é particularmente impactante porque, mesmo com a chance de crescimento da safra brasileira, existe forte perspectiva de déficit de produção no cenário mundial.

De acordo com os cálculos da Copersucar publicados pelo Valor, ainda que o cenário de 625 milhões de toneladas se confirme, isso não acarretará uma mudança da tendência para preços do açúcar. A despeito desta estabilidade na tendência, a aposta da trading é que toda esta moagem extra irá para produzir açúcar, gerando uma oferta extra de 2,4 milhões de toneladas.

Retração no consumo do ciclo Otto

Para o etanol, a Copersucar estima em 2016/17 uma produção parecida com a da atual temporada (29 bilhões de litros), mas um consumo menor – o que tende a provocar oscilações mais bruscas no preço de safra e entressafra. A perspectiva de demanda do Ciclo Otto em 2016 deve recuar cerca de 3% na comparação com o ano passado.

Venda de etanol pela trading

Ainda na safra 2015/16, a companhia pretende movimentar, com as operações no Brasil e nos Estados Unidos, 12,8 bilhões de litros do biocombustível, o que representa 6% de aumento. Nos Estados Unidos, os volumes ficarão estáveis em 7,8 bilhões de litros. No entanto, nove usinas que fazem parte da Copersucar já cadastraram novos caminhos de produção para exportação de etanol para a Califórnia.

Assim, a aposta é que o crescimento venha do mercado brasileiro, onde a Copersucar pretende negociar 5 bilhões de litros, ante os 4,3 bilhões de 2014/15, avaliou o executivo para o Valor. Ao longo desta safra 2015/16, os preços do etanol saíram do patamar de R$ 1,23 para R$ 2 o litro.

"Só não estocamos mais porque o juro mais alto aumentou o risco", explicou Pogetti. Em junho, o executivo já havia se pronunciado sobre as usinas favorecerem a produção de etanol.

Ainda de acordo com o Valor Econômico, a Copersucar busca manter sua fatia de mercado no Brasil mesmo com a crise que acabou por reduzir sua base de usinas. Desde 2013, a companhia vem perdendo sócios seja por decisão estratégica de cada grupo – como foi o caso dos paulistas Clealco e Usina Batatais – ou por dificuldades financeiras, como ocorreu com a Aralco, que está em recuperação judicial, e o Grupo Virgolino de Oliveira, com graves dificuldades financeiras.

Segundo Pogetti, houve uma compensação parcial devido à elevação da moagem. A empresa tem no seu quadro societário 21 grupos produtores que, juntos, vão processar nesta safra 92 milhões de toneladas de cana. Em 2012, eram 25 grupos, com moagem de 94,7 milhões.

No mercado americano, por sua vez, a companhia pretende ampliar sua participação na trading Eco-Energy, que controla desde 2012. Pogetti, em entrevista ao Valor Econômico, confirmou a compra do capital restante da Eco-Energy, de forma que até 2017 a trading americana será controlada integralmente pela Copersucar.

Em 2012, a brasileira – que junto com a Cargill, na joint venture Alvean, também é a maior trading global de açúcar – entrou no capital da americana Eco-Energy com a compra de uma fatia de 65%, por US$ 90 milhões. Em 2015, adquiriu mais 11,66%, por US$ 18 milhões. Em abril deste ano e em abril de 2017 vai exercer as outras opções de compra, completando os 100%.

Conforme o Valor Econômico, a Eco-Energy faturou R$ 21 bilhões em 2014/15 e não pretende, ao menos por ora, elevar as apostas no Brasil. A empresa apenas concluirá neste ano a construção de três terminais (de um total de cinco) de carregamento e descarregamento de etanol.

Para Pogetti, o foco é consolidar investimentos já feitos. "Até por conta da conjuntura no Brasil, não há espaço para tomar mais risco nos EUA. Qualquer investimento na controlada americana significaria alocar mais capital próprio ou elevar dívida", afirmou.

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Com informações do Valor Econômico