Açúcar: Mercado

Mercado de açúcar deve sustentar tendência positiva em Nova York


Agência Estado - 26 out 2015 - 09:48

Apesar de devolverem na sexta-feira quase todo o ganho de pouco mais de 2% do dia anterior, os contratos futuros de açúcar demerara iniciam a última semana de outubro com inclinação positiva na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). O mercado ficou praticamente sem alteração, com valorização de cerca de 0,07% (1 ponto), na semana passada, saindo de 14,27 cents, no dia 16, para 14,28 cents na sexta-feira passada. Desde o início do mês, porém, o contrato, base março/16, já subiu 11,3%.

Entre outros fatores positivos, existem temores com relação ao clima no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora de cana-de-açúcar do mundo. A previsão de chuvas nos próximos dias pode atrasar a colheita e prejudicar a qualidade da matéria-prima.

Na sexta, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou números da moagem de cana na região na primeira quinzena de outubro, reportando queda de 8,31% sobre a mesma quinzena de 2014 (36,13 milhões de toneladas). A Unica atribuiu a queda às chuvas que caíram no período, principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O resultado ficou abaixo das estimativas de mercado. O Banco Pine projetava moagem de 38,3 milhões de t na quinzena. Já a consultoria Platts esperava processamento de 36,8 milhões de t de cana nos 15 primeiros dias de outubro.

O mercado, no entanto, ignorou esses dados. Fundos de investimento e especuladores, que estão com elevado saldo líquido comprado, podem ter aproveitado o último dia útil da semana para realizar lucro e liquidar posição. Esses participantes estavam com saldo líquido comprado de 144.719 lotes no dia 20, em comparação com 133.408 lotes comprados no dia 13, informou na sexta relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC).

Participantes também concentraram atenção nas discussões no Congresso Nacional sobre o aumento da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide) da gasolina. A iniciativa voltou à tona, depois que o relator Orçamento da União de 2016, deputado Ricardo Barros (PP-PR), sugeriu aumento da Cide de R$ 0,10 por litro para R$ 0,50 o litro, o que garantiria receita de R$ 12 bilhões no ano que vem, abrindo mão da CPMF, que encontra dificuldades para ser aprovada. A notícia impulsionou o mercado de açúcar, já que a medida favorece o consumo de etanol, melhorando a remuneração dos produtores e reduzindo a oferta do adoçante.

O dólar experimentou alta momentânea ainda na manhã da sexta, influenciado pela notícia de que o Banco do Povo da China (PBoC, o banco central do país) havia cortado as taxas de juros de empréstimos e depósitos de um ano em 0,25 ponto porcentual, para 4,35% e 1,50%, respectivamente. À tarde, porém, as medidas chinesas foram interpretadas como sinais de que a economia do país está mais fraca do que o previsto. Com isso, as commodities perderam força, de modo geral.

A estrutura invertida dos contratos de açúcar na ICE, no entanto, sinaliza aperto na oferta, durante a entressafra do Centro-Sul. O contrato março/16 está mais valorizado do que vencimentos mais longos.

Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam no terreno negativo em boa parte do pregão de sexta. O vencimento março/16 encerrou com forte queda de 32 pontos (2,19%), a 14,28 cents, devolvendo os ganhos do dia anterior. A máxima foi de 14,73 cents (mais 13 pontos). A mínima bateu 14,21 cents (menos 39 pontos).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou na sexta a R$ 69,58/saca (+1,78%). Em dólar, o preço ficou em US$ 17,91/saca (+2,87%).


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