Açúcar: Mercado

Para LMC, recuo na produção brasileira de açúcar pode ser compensado pela Tailândia


Agência Estado - 28 abr 2021 - 09:18

No momento, a principal dúvida do mercado de açúcar em relação aos fundamentos é se a recuperação da produção da Tailândia será suficiente para compensar as perdas esperadas para o Brasil. A análise é do diretor geral da LMC International, Martin Todd, durante a Reunião Canaplan, realizada virtualmente ontem à noite.

“As grandes perguntas são: qual será o recuo na produção de açúcar do Brasil? E o recuo será maior do que a recuperação da Tailândia?”, disse. Ele destacou que esses dois países são relevantes porque Índia e Europa não devem ter aumento expressivo de produção nesta safra.

Todd espera que, em 2021/22, a safra de cana-de-açúcar da Tailândia tenha leve recuperação, chegando a um valor entre 85 e 90 milhões de toneladas de cana. Em 2020/21, este volume ficou em 67 milhões de toneladas, metade do volume de dois anos antes. Já as exportações de 2020/21 devem ficar entre 4 e 5 milhões de toneladas, ante as quase 10 milhões de toneladas de dois anos antes, mas tanto o volume quanto as exportações foram maiores do que no ano anterior.

Quanto à Índia, a situação ainda é de incerteza, principalmente em relação ao subsídio do governo para exportações na próxima safra. Na safra atual, foi dado subsídio a 6 milhões de toneladas. “Dizem que podem ampliar a cota para esta safra em alguns milhões, mas isso ainda é incerto. E não sabemos o que vão fazer em 2021/22. Essa incerteza só deve aumentar”, disse Todd.

Para o Brasil, a expectativa é de recuo em 2021/22 na comparação com a safra anterior. “A safra de cana deve ser menor, a dúvida é o quão menor será”. Ele ressaltou que, sem oferta nova da Índia e da Tailândia, “a pressão está no Brasil”.

De acordo com o executivo, os preços globais de açúcar têm como pisos a paridade de exportação da Índia e a paridade com o etanol no Brasil. Já o teto é a paridade de importação da China. “Se os preços superarem esse patamar, eles param de comprar”, disse Todd. “Vimos isso recentemente. Os preços subiram e eles pararam. Depois, quando caiu, voltaram às compras”.

A firmeza das cotações nos últimos meses se deve, segundo Todd, tanto aos fundamentos quanto aos estímulos internos positivos. “Os mercados estão otimistas com a recuperação da economia global. Isso deu suporte ao preço do petróleo e reanimou fundos, que voltaram a comprar commodities”, disse. Uma vantagem para o Brasil, acrescenta, é o fato de os preços globais do adoçante subirem mesmo enquanto o real se enfraquece ante o dólar.

Augusto Decker


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