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Açúcar: Mercado

Kingsman reduz em 5,7% a estimativa para excedente de açúcar


novaCana.com - 10 dez 2013 - 15:40 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

O excedente global de açúcar será inferior ao inicialmente previsto, já que os produtores do Brasil, maior produtor mundial da commodity, devem produzir mais etanol no ano que vem, afirmou a Kingsman S.A. em sua quarta estimativa para a temporada 2013/2014.

A produção global será 4,4 milhões de toneladas superior ao consumo durante os doze meses iniciados em 1º de outubro de 2013, declarou em nota a unidade de Lausanne da Platts, que pertence à McGraw Hill Financial. A estimativa anterior era de 4,7 milhões de toneladas.

Os produtores do centro-sul do Brasil, região em maior crescimento no país, devem moer mais cana este ano, deixando um volume menor para ser esmagado em 2014, segundo a Kingsman. Eles devem também se voltar para a maior produção de etanol no ano que vem.

"Diminuímos nossa estimativa para a produção de açúcar no centro-sul do Brasil em 2014/2015, porque reduzimos o volume de cana que sobrará no campo, já que eles [os usineiros da região] vão moer mais este ano", disse por telefone o fundador da Kingsman, Jonathan Kingsman. "Esperamos também que mais sacarose seja destinada à produção de etanol. A redução no período de outubro/setembro é inteiramente baseada na nossa percepção da nova safra do centro-sul do país".

Os futuros de açúcar demerara, em queda de 15% este ano, seguem em direção à terceira queda anual, a maior baixa desde 1992. Os preços deslizaram depois que produtores do Brasil à Australia, o terceiro maior exportador da commodity, aumentaram a produção depois que os futuros atingiram o maior preço dos últimos 30 anos, em fevereiro de 2011. O adoçante tem o oitava pior desempenho, segundo o cálculo da Standard & Poor, que considera 24 produtos brutos.

A produção global de açúcar deve chegar a 178,7 milhões de toneladas no ano comercial iniciado em º de outubro, volume 1,7% ao do ano anterior, estima a Kingsman. O consumo deve crescer 1,5%, chegando a 174,3 milhões de toneladas no período, conforme o relatório da empresa. Os preços em Nova York, que chegaram ao patamar mais baixo em 16 de julho de 2013, ricochetearam para o valor mais alto do ano em 18 de outubro antes de voltaram a cair.

Excedente

Tomando por base o ano-safra nacional, que começa quando cada uma das nações produtores começa a colheita, o superávit de açúcar será 20% maior do que o inicialmente previsto, em parte devido às maiores safras no hemisfério norte, de acordo com a Kingsman. A oferta vai superar a demanda em 5,35 milhões de toneladas, ante a previsão anterior de 4,45 milhões de toneladas.

Apesar da maior oferta, o efeito disso no comércio global da commodity deve ser praticamente anulado, já que "uma parte significativa do aumento da produção virá da região da Nafta e não necessariamente chegará ao mercado mundial", explicou a Kingsman, referindo-se ao Tratado Norte-americano de Livre Comércio, que garante a movimentação de produtos entre os Estados Unidos, o Canadá e o México.

Os produtores da região centro-sul do Brasil vão moer 593 milhões de toneladas de cana este ano, superando a estimativa anterior de 585 milhões de toneladas, avaliou a empresa. O rendimento mais baixo deve compensar a quantidade adicional de cana, deixando a produção de açúcar em 34,1 milhões de toneladas, volume equivalente ao do ano passado e superior à estimativa de outubro, de 33,7 milhões de toneladas, conforme o relatório.

Etanol

"Se toda essa cana adicional fosse usada para a produção de açúcar, teríamos um volume extra de 1 milhão de toneladas [além do excedente previsto]", disse a Kingsman. "Entretanto, à medida que nos aproximamos do final da safra, os produtores estão dando prioridade ao etanol".

Os produtores da maior economia da América Latina fazem açúcar e etanol a partir da cana-de-açúcar. Usineiros do centro-sul destinaram 54,4% de toda a cana moída desde o início da safra, em abril, até metade de novembro para a produção de etanol, segundo informações da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Única), baseada em São Paulo, ante os 50,2% do ano anterior.

Com o aumento de 4% nos preços da gasolina, decidido no final do mês passado, e outro acréscimo nos preços dos combustíveis esperado para o ano que vem, a quantidade de cana destinada à produção de açúcar pode diminuir no ano que vem, segundo a Kingsman. Motoristas brasileiros podem abastecer seus carros com etanol puro ou uma mistura de gasolina e etanol. Preços de combustíveis mais altos deixam o etanol mais competitivo.

Tailândia

A produção de açúcar na Tailândia, o segundo maior exportador mundial, deve crescer 13% em 2013/2014, atingindo 11,7 milhões de toneladas. O rendimento deve ser beneficiado pelas "boas" monções, enquanto a área plantada de cana-de-açúcar aumentou, já que a planta está entre as culturas mais rentáveis. Na Índia, o segundo maior produtor da commodity, a produção deve ser de 25,4 milhões de toneladas, equivalente ao ano anterior, e a demanda está prevista em 25,2 milhões de toneladas, de acordo com o relatório.

O México deve produzir 6,6 milhões de toneladas, crescimento de 400 mil toneladas ante a previsão anterior, devido ao aumento da área plantada, de acordo com Kingsman. A produção nos Estados Unidos chegará a 7,8 milhões de toneladas, 300 mil a mais do que a previsão anterior. A Russia deve produzir 4,35 milhões de toneladas e a União Europeia, 16,3 milhões de toneladas, ambas estimativas iguais às anteriores.

"Ainda estamos no inicio da safra 2013/2014 de cana para dois gigantes da produção de açúcar na Ásia: Índia e Tailândia", disse a Kingsman. "Apesar da expectativa de que ambas colham super safras, pode haver variações para cima ou para baixo durante a colheita, principalmente devido a condições climáticas e possíveis atrasos na safra indiana", diz o relatório, em referência às dívidas das usinas com os produtores de cana.

Isis Almeida (Bloomberg)
Tradução: Vivian Faria – novaCana.com