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Açúcar: Mercado

Futuros do açúcar têm suporte no clima no Brasil e na demanda da China


Agência Estado - 23 out 2015 - 10:21

A tendência para os preços futuros do açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) segue positiva. A sustentação, entre outros fatores, vem do clima no Brasil, do eventual aumento da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e da firme demanda chinesa pelo produto.

A meteorologia informa que áreas de instabilidade ganham força sobre o Sudeste nos próximos dias, trazendo chuvas para áreas produtoras de cana-de-açúcar. No começo da semana que vem, segundo a Somar, a previsão é de mais chuvas na faixa que vai do Paraná, passando pelo sul de Mato Grosso do Sul, Goiás, até Minas. Estima-se que na primeira quinzena de outubro, pelo menos 2,5 dias de moagem foram perdidos por causa das chuvas. Hoje, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulga os dados da produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul na primeira quinzena do mês de outubro. Na segunda quinzena de setembro o volume de cana processado alcançou 40,47 milhões de toneladas, favorecido pelo clima.

Em outros países produtores, principalmente da Ásia, a preocupação é com a seca provocada pelo El Niño. Além do clima adverso, voltaram as discussões sobre aumento da Cide, já que a aprovação da CPMF se mostra mais difícil. A elevação da Cide favorece o consumo de etanol, melhorando a remuneração dos produtores e reduzindo a oferta de açúcar. O relator Orçamento da União de 2016, deputado Ricardo Barros (PP-PR), sugere aumento de R$ 0,10 por litro para R$ 0,50 o litro, o que garantiria receita de R$ 12 bilhões no ano que vem.

O dólar caiu ontem, mas operava acima de R$ 3,90 no meio da tarde. Nesse nível, produtores brasileiros de açúcar tendem a fixar preço na bolsa, garantindo satisfatória remuneração. Outro fator de sustentação dos futuros de açúcar em Nova York é a estrutura dos contratos. Conforme o analista Arnaldo Luiz Correa, sócio-diretor da Archer Consulting, o mercado está invertido, ou seja, os preços com vencimento mais curtos estão mais altos do que os preços mais longos.

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Estima-se, com isso, o início tardio da moagem da próxima safra, além de uma menor disponibilidade de açúcar, pois as usinas deverão privilegiar a fabricação de etanol. Segundo Correa, existe pouco açúcar disponível para venda contra maio porque o volume de fixação já é alto em comparação com outros anos. "Algumas tradings se anteciparam e compraram o spread maio/julho", estima.

Os fundos de investimento devem ter aumentado ainda mais o saldo líquido comprado em açúcar na ICE na semana. Isso é o que deve mostrar relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) referente à semana encerrada na terça-feira (20), e que será divulgado hoje à tarde. No levantamento anterior, até o dia 13 de outubro, os fundos e especuladores estavam com saldo líquido comprado de 133.408 lotes.

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Números do Departamento de Alfândegas da China, divulgados na quarta-feira, surpreenderam positivamente o mercado de açúcar. Segundo o departamento, a China importou 656.224 toneladas de açúcar em setembro, incremento de 80% na comparação com setembro de 2014. No acumulado do ano, as compras da commodity somam 3,7 milhões de toneladas, alta de 55% ante igual intervalo do ano passado.

Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam de inalterado a alta no pregão de ontem. O vencimento março/16 encerrou com forte elevação de 42 pontos (2,96%), a 14,60 cents. A máxima foi de 14,63 cents (mais 45 pontos). A mínima bateu 14,18 cents (inalterado em relação ao fechamento anterior).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou a R$ 68,36/saca (+0,46%). Em dólar, o preço ficou em US$ 17,41/saca (+0,93%).

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