Açúcar: Mercado

Futuros do açúcar retomam trajetória altista na bolsa de Nova York


Agência Estado - 22 out 2015 - 10:46

Os contratos futuros do açúcar demerara se firmam na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), sustentados pela perspectiva de demanda. O Departamento de Alfândegas da China informou ontem que o país importou 656.224 toneladas de açúcar em setembro, 80% mais que no mesmo mês de 2014.

No acumulado do ano, o desempenho também é significativo, com incremento de 55%, totalizando 3,7 milhões de toneladas. A demanda em alta vem acompanhada de oferta em queda. Além da já assimilada perspectiva de déficit global de açúcar, o governo da Índia não deve cumprir sua meta inicial de exportar 4 milhões de t na atual temporada.

Com isso, já nesta quarta-feira os futuros de açúcar demerara encerraram o pregão em alta. O vencimento março, o mais líquido, avançou 12 pontos (0,85%) e fechou a 14,18 cents por libra-peso.

Também ontem o Goldman Sachs mudou sua recomendação quanto às ações da Suedzucker, um das maiores refinadoras de açúcar do mundo. Até então, o banco vinha sugerindo a venda das ações da companhia. Agora passou a indicar a compra. "O mercado está ficando mais construtivo, após quatro anos e meio de baixas. A decisão do Goldman Sachs sinaliza que a instituição está apostando na alta da commodity", afirmou o analista da Newedge, do Societe Generale Corporate & Investment Banking, Michael McDougall.

Na primeira semana de fevereiro de 2011, os futuros do açúcar chegaram ao pico de 36,08 cents por libra peso, como lembrou McDougall. De lá para cá, a commodity recuou significativamente, chegando aos 10,13 cents em 28 de agosto deste ano.

As negociações dos contratos futuros ainda podem refletir a estimativa de chuvas para o Centro-Sul do Brasil. Segundo a Somar Meteorologia, as altas temperaturas previstas para esta segunda quinzena de outubro devem prejudicar a concentração de ATR e, consequentemente, levar a uma menor produção de açúcar e etanol neste ciclo. Mas para novembro há a expectativa de que as chuvas ocorram de forma regular e em bons volumes.

Apesar disso, vale lembrar os dados divulgados esta semana pelo Banco Pine, mostrando que a relação dos preços do etanol ante os do açúcar é a pior dos últimos anos. Para o banco, este quadro deve levar as usinas a priorizar a produção do alimento, em especial nos meses finais do ano. Até agora, o mix é de 42% para açúcar e 58% para o etanol, contra 44% e 56%, respectivamente, em 2014.

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A cotação entre o primeiro e o segundo vencimento na ICE continua invertida. Para a trading Czarnikow, o prêmio pago para o vencimento março sobre o maio sugere que o mercado quer persuadir a Tailândia a vender parte de seus estoques. Seria uma forma de garantir uma oferta suficiente daquele açúcar no primeiro trimestre de 2016. Mas a trading avalia que só o prêmio não será suficiente e que os produtores do país podem decidir usar a cana para fabricar etanol se os preços caírem em termos absolutos.

O spread março/maio voltou a aumentar, de 19 pontos na terça-feira para 22 pontos na quarta-feira. Hoje, o mercado deve testar a resistência de 14,39 cents e o suporte de 14,08.

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou R$ 68,05/saca (+1,48%). Em dólar, o preço ficou em US$ 17,25/saca (+0,47%).

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