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Açúcar: Mercado

FCStone reduz previsão de déficit global de açúcar em 2016/17 e eleva excedente para 2017/18

Mix açucareiro no Centro-Sul do Brasil, forte produção no Hemisfério Norte e demanda mundial tímida devem levar ao primeiro superávit global de açúcar em três anos


INTL FCStone - 09 nov 2017 - 11:08

Com mix açucareiro elevado durante setembro na principal região produtora de açúcar do mundo, o Centro-Sul brasileiro, a consultoria INTL FCStone amenizou sua expectativa para o déficit global de açúcar no ciclo 2016/17 (outubro-setembro) para 2,5 milhões de toneladas métricas (valor bruto).

"Isso foi favorecido pelas poucas chuvas durante o mês de setembro, que registraram cerca de apenas 11 mm no acumulado na média das principais praças canavieiras da região, consideravelmente abaixo dos 63 mm normais para o período", explica o analista de mercado do grupo, Pedro Shinzato.

Além do mix, a produtividade agroindustrial, mensurada pelo ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) médio, também foi favorecida pelo clima mais seco, o que levou a uma forte produção de açúcar no último mês da safra-mundo 2016/17 (ou sexto mês da safra 2017/18 no Centro-Sul, que teve início em abril).

Assim, a estimativa de produção do adoçante a partir de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil entre out/2016 e set/2017 foi atualizada para 37,0 milhões de toneladas (tel quel).

Nos EUA, ligeira revisão da produção ao longo da safra 2016/17 no país com base nos números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também contribuiu para a estimativa de aumento de oferta mundial de açúcar no período.

Na Índia, segundo maior produtor mundial, revisão semelhante também ocorreu – o que não isentou o país de registrar demanda maior que a oferta interna durante 2016/17. "Consecutivas quebras de safra levaram a produção no país a registrar 20,3 milhões de toneladas (valor branco), enquanto o consumo é estimado pela Associação das Usinas de Açúcar da Índia entre 23,8 e 24,0 MMT (valor branco)", destaca Shinzato, em relatório.

Apesar do elevado diferencial entre produção e consumo, as importações líquidas (importações menos exportações) indianas durante o ano-safra 2016/17 alcançaram volumes consideravelmente menores à medida que parcela significativa da demanda foi atendida pelos estoques remanescentes de safras anteriores. Assim, os estoques iniciais para a safra 2017/18 no país são projetados em volumes próximos das mínimas do passado recente.

Já a demanda mundial ao longo da safra que acaba de se encerrar é estimada em aproximadamente 181,8 milhões de toneladas métricas. "Esse valor imprime um ritmo de crescimento anual inferior ao observado em safras recentes por conta da procura por hábitos alimentares mais saudáveis em países desenvolvidos e por conta do cenário econômico menos favorável ao amplo crescimento do consumo de alimentos industrializados em países subdesenvolvidos – fatores já extensivamente precificados pelo mercado", avalia o analista Pedro Shinzato, da INTL FCStone.

De déficit a excedente

Além disso, a INTL FCStone também elevou sua projeção de superávit no balanço mundial de oferta e demanda de açúcar das 2,6 milhões de toneladas estimadas no início de setembro para 2,8 milhões de toneladas. Isso levaria os estoques mundiais a registrar 72,4 milhões de toneladas ao final do ciclo 2017/18, versus 69,6 MMT projetados para o ano-safra anterior.

"Esses níveis de estoques finais representariam 39,5% da demanda mundial na safra recém iniciada, uma relação estoque/uso em linha com a vista em 2015/16 e acima das 38,3% estimadas para 2016/17", observa o analista de mercado da INTL FCStone, Pedro Shinzato. O grupo projetou a procura pelo produto em 183,1 MMT durante o ano-safra iniciado em outubro recente, marcando avanço de 0,8% em comparação com 2016/17.

"No lado da oferta, ao contrário do esperado para a safra passada, estimamos uma redução na produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro ao longo de 2017/18 (out-set)", destaca Shinzato, em relatório. Isso porque a INTL FCStone considerou provável que unidades produtoras brasileiras destinem maior parcela de sua matéria-prima para a fabricação de etanol, que concorre diretamente com a gasolina no Brasil, onde a maiorparte da frota automotiva é composta por veículos flex fuel.

A perspectiva de produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro ao longo da safra-mundo 2017/18 (que coincide majoritariamente com a safra 2018/19 na região) foi reduzido para 31,0 MMT (tel quel).

No segundo maior produtor mundial, a Índia, a safra 2017/18 reserva perspectivas de grande recuperação após dois ciclos consecutivos de quebra de safra associados à forte seca que atingiu o país com o El Niño de 2015.

A produção indiana de açúcar na safra 2017/18 foi elevada para 25,0 milhões de toneladas (valor branco), 23% maior que no ciclo anterior e acima das 24,5 MMT estimadas pela INTL FCStone em setembro.

Já na União Europeia, a safra 2017/18 já teve início dando sinais de maior disponibilidade de açúcar no bloco. Na expiração do contrato futuro de açúcar branco de outubro negociado na ICE Londres, ocorrida cerca de dez dias após a divulgação da estimativa anterior da consultoria para o saldo global de açúcar (e, portanto, poucas semanas antes do início oficial da safra 2017/18 no velho continente), 4 mil toneladas foram entregues contra a expiração da tela no porto de Rouen, na França.

Apesar de praticamente irrisório frente aos volumes do mercado global do adoçante, o carregamento de açúcar branco no navio MV Michelle C no início de outubro simbolizou as perspectivas de maior oferta de açúcar na União Europeia em 2017/18, uma vez que é a primeira exportação do bloco após o fim do sistema de cotas a partir do dia 1º/out.

Com ampla expansão da área plantada com beterrabas açucareiras principalmente na França e na Alemanha em conjunto com um cenário climático mais favorável que o visto em meados de 2017, a INTL FCStone projeta que a produção de açúcar do bloco alcance 18,9 milhões de toneladas (valor branco), crescimento de quase 21% em comparação com 2016/17.