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Açúcar: Mercado

Especulação climática guia commodities


Valor Econômico - 02 mai 2014 - 11:41 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

Fortemente influenciadas por movimentos especulativos derivados de problemas ou incertezas provocadas pelo clima - o que tende a perdurar em maio -, sete entre oito commodities agrícolas de destaque no comércio exterior do país voltaram a encerrar abril com preços médios superiores aos de março nas bolsas de Chicago (soja, milho e trigo) e Nova York (café, cacau, suco de laranja e algodão).

Exceto pelo açúcar, que registrou leve recuo, foi o terceiro mês consecutivo de valorizações generalizadas desse grupo de produtos. Uma curva que fortalece o superávit da balança comercial do agronegócio brasileiro, apesar de o país ser um grande importador de trigo, mas amplifica as preocupações com a inflação dos alimentos, já que todos eles (inclusive o açúcar) continuam a apresentar médias maiores que as de dezembro de 2013 (ver infográfico).

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Conforme cálculos do Valor Data com base nos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez), a soja puxou as altas em Chicago. O grão encerrou o mês com cotação média 4,76% maior que a de março. Apesar da tendência de ampliação da área plantada nos EUA na safra 2014/15, pesou para a valorização o nível historicamente baixo dos estoques americanos. Na semana passada, o pequeno atraso da semeadura naquele país ofereceu suporte - que ontem já sofreu forte erosão, em decorrência de previsões climáticas favoráveis.

Mais acentuado no caso do milho, o atraso da semeadura nos EUA se somou à previsão de queda da área plantada americana e determinou uma valorização de 4,10% na cotação média do cereal em Chicago na comparação entre abril e março. E, no caso do trigo, que já registrou perdas por conta da estiagem naquele país, houve alta em Chicago de 1,35%, o que manteve os preços no elevado patamar alcançado após o início da crise entre Ucrânia e Rússia, grandes exportadores do produto.

Se nesta época do ano já é normal a influência do "weather market" nos mercados de grãos, por causa do início do plantio no Hemisfério Norte, em Nova York, onde são transacionadas as "soft commodities", o peso do clima em abril foi maior que o normal. E isso por causa do El Niño, que deverá dar o ar da graça este ano, provocando o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico e alterando o regime de chuvas em diversas regiões do planeta, e, com isso, poderá prejudicar as já combalidas produções de açúcar e café no Brasil, de café no Vietnã, de açúcar na Índia e de cacau na África.

Nesse contexto, o café, extremamente volátil este ano, fechou abril com cotação média 5,08% acima de março, enquanto o cacau avançou 0,08%. O açúcar, que vinha em alta por conta da seca no Centro-Sul do Brasil, devolveu ganhos e registrou retração de 1,42%, mas poderá registrar repiques em caso de novas intempéries. O suco também subiu (5,10%), mas sob os reflexos da pequena safra de laranja da Flórida, e o algodão completou a lista altista (1,19%), puxado por boa demanda.

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A especulação, contudo, poderá diminuir, já que os fundos que atuam nos mercados agrícolas reduziram nos últimos dias as apostas na valorização dos principais grãos negociados na bolsa de Chicago. Conforme a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), os gestores de recursos ("managed money") encerraram a semana de 22 de abril com uma posição líquida de compra de 165.151 contratos (entre futuros e opções) de soja, 11,5% menos do que na semana anterior.

O recuo no mercado de trigo foi ainda maior. No caso do trigo brando, os fundos diminuíram em 29% as apostas na alta da commodity, para um saldo líquido comprado de 27.090 contratos na semana até 22 de abril. Quanto ao trigo duro, a expectativa de valorização foi reduzida em quase 2%, para 35.515 contratos. O retorno das chuvas às Grandes Planícies americanas, região que vinha sofrendo com o tempo mais frio e seco, contribuiu para o movimento observado.

A influência do clima também foi decisiva para que diminuísse a crença dos fundos na alta do milho em Chicago. Conforme o CFTC, a posição líquida comprada do grão recuou 5,5%, para 236.635 contratos. Na semana encerrada em 22 de abril, houve uma janela favorável ao plantio do grão nos Estados Unidos, ainda que, pouco antes, as chuvas tenham voltado a atrapalhar os trabalhos no campo.

Na bolsa de Nova York, por outro lado, prevaleceu a expectativa de novas valorizações. O destaque ficou por conta do aumento no saldo líquido de compra do algodão, de 7,5% ante a semana anterior, para 57.248 contratos. A perspectiva é de oferta apertada da pluma no curto prazo, tendo em vista os estoques enxutos dos EUA, maior exportador mundial da commodity.

Já as apostas na elevação das cotações do açúcar demerara e do café arábica em Nova York cresceram 2%, para uma posição líquida comprada de 120.050 contratos e 38.863 contratos, respectivamente.

Fernando Lopes, Camila Souza Ramos, Mariana Caetano, Carine Ferreira e Fernanda Pressinott


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