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Açúcar: Mercado

El Niño ainda impacta produção mundial de açúcar; safra 2016/17 segue trajetória de déficit

Fenômeno climático que ganhou destaque no ciclo 2015/16 deve continuar registrando seus impactos sobre a produção agrícola


INTL FCStone - 26 ago 2016 - 08:49

Com efeitos de problemas climáticos da safra anterior, falta de investimento e continuidade do aumento na demanda pelo açúcar, a consultoria INTL FCStone estima que o déficit global deve voltar a aumentar na safra 2016/17 (que se inicia em outubro desde ano) para 9,7 milhões de toneladas. Esse número é resultado de um aumento de 1,7% (em relação à safra 2015/16) projetado pelo lado da produção total, em 176,44 milhões de toneladas, que não conseguiu compensar uma elevação também na demanda, de 1,8% (em relação à safra 2015/16), alcançando 186,13 milhões de toneladas.

“Este aumento [na demanda] é resultado do crescimento esperado para as economias dos principais consumidores de açúcar, principalmente nos mercados emergentes, onde a urbanização e industrialização têm efeito considerável sobre o consumo do adoçante”, explica o analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho. Apesar da desaceleração na economia chinesa ter diminuído ligeiramente o ritmo de crescimento global, não há expectativa de grandes solavancos nos países que vem puxando o consumo de açúcar ao longo dos últimos anos.

A estimativa anterior da consultoria (para o saldo global 2016/17) apontava um déficit menos expressivo, em 7,8 milhões de toneladas. Desde que esta estimativa preliminar foi divulgada até agora, a perspectiva para a produção de alguns grandes players foi reduzida e, pelo menos em parte, isso ainda se deve aos efeitos do El Niño.

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Este fenômeno, que teve uma de suas ocorrências mais intensas da história entre abril do ano passado e junho deste ano, causou seca na entressafra de alguns países produtores e condições adversas para a colheita na safra de outros. Acrescida ao clima desfavorável, a falta de novos investimentos em expansão da capacidade produtiva nos principais produtores ao longo dos últimos anos manteve a produção estacionada no patamar de 173 a 184 milhões de toneladas, que vigora desde a safra 2011/12.

Na Tailândia, onde o clima seco que predomina desde o ano passado prejudicou os canaviais em momentos críticos do desenvolvimento vegetativo, a produção deve ficar em 9,6 milhões de toneladas, 3,9% abaixo do ano passado e o menor patamar desde 2009/10.

Destaca-se ainda que os estoques do adoçante nesta safra devem cair 13,5%, para 61,9 milhões de toneladas, o menor volume desde 2011/12 e 23,4% abaixo da máxima de 2014/15. Desta forma, a relação estoques-uso deve ser reduzida para 33,3%, igualando a mínima da série histórica de 2010/11, quando o preço médio na bolsa de Nova Iorque foi de US¢28,15/lb.