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Açúcar: Mercado

Déficit global de açúcar eleva preço externo ao maior patamar em quase dois anos


Agência Estado - 24 mai 2016 - 10:20

Os valores externos do açúcar subiram na última semana, influenciados pela previsão de déficit global nas temporadas 2015/16 e 2016/17. O clima desfavorável em grandes produtores, como Índia, União Europeia, Tailândia e China, prejudicou a produção, que terá quedas expressivas. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), o contrato nº 11 do demerara (Julho/16) fechou acima de 17 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira, 20 – patamar que não era verificado desde julho de 2014. Em sete dias, o contrato Julho/16 se valorizou 2%.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que o déficit mundial na temporada 2015/16 atinja 6,9 milhões de toneladas, já que o consumo global é previsto em 171,8 milhões de toneladas, excedendo a produção, de 164,9 milhões. Para a safra 2016/17, o déficit estimado é de 4,3 milhões de toneladas, reflexo da produção de 169,3 e do consumo de 173,6 milhões de toneladas. Nesse cenário, os estoques globais desta safra devem registrar os menores patamares das últimas três temporadas.

No mercado spot paulista, o ritmo de negócios foi menor na última semana, devido às chuvas em boa parte do estado de São Paulo, que interromperam a produção por alguns dias. Na retomada das atividades, o açúcar produzido teve qualidade inferior. Por isso, usinas optaram por atender aos contratos e estiveram retraídas do spot. Na sexta-feira, 20, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 76,02/saca de 50 kg, aumento de 1,52% em relação à sexta anterior.

Com a alta em Nova York, a paridade está abaixo de um Real, o que não ocorria desde a segunda quinzena de março. De 16 a 20 de maio, cálculos do Cepea mostram que as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram 1,03% a mais que as vendas externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 75,67/sc, as cotações do contrato nº 11 da ICE Futures (Bolsa de Nova York), com vencimento em Julho/16, equivaleriam a R$ 74,89/sc. Para esse cálculo, foram consideradas as médias semanais de US$ 54,63/t de fobização, de US$ 77,49/t de prêmio de qualidade e de R$ 3,5306 de dólar.

Em Londres (Euronext Liffe), o contrato de açúcar refinado com vencimento em Agosto/16 teve ligeira alta de 0,65% de sexta a sexta, fechando a semana a US$ 481,20/tonelada.

O Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF, referente ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150, que inclui vendas domésticas e para exportação, subiu 2,09% na semana, fechando a R$ 76,25/saca 50 kg na sexta-feira.

No mercado atacadista do estado de São Paulo, o Indicador de Cristal Empacotado fechou a R$ 8,7122/saca de 5 kg na sexta-feira, queda de 1,17% sobre a sexta anterior. O açúcar refinado amorfo fechou a R$ 2,0656/saca de 1 kg, com baixa de 1,68% no mesmo período.

No Nordeste, o ritmo de negócios de açúcar continua lento. A oferta do produto está cada vez mais restrita, com algumas usinas encerrando seus estoques. Já outras unidades, mais capitalizadas, especialmente de Pernambuco, estiveram fora do mercado, aguardando preços maiores.

No segmento de etanol, o Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro combustível subiu 2,87% e o hidratado, 2,72% em relação à semana anterior. Frente ao açúcar cristal, que acumulou alta de 1,52% entre as duas e sextas-feiras, cálculos do Cepea mostram que o açúcar remunerou 62,26% a mais que o anidro e 69,45% a mais que o hidratado.