Açúcar: Mercado

Déficit global de açúcar deve crescer mesmo com aumento da produção no Centro-Sul


Grupo Cultivar - 20 mar 2020 - 08:59

Segundo revisão de estimativas divulgada na quarta-feira (18) pela INTL FCStone, o déficit mais acentuado no mercado global de açúcar deve totalizar 8,6 milhões de toneladas em 2019/20 (outubro a setembro), superando em 0,9 milhão de toneladas o saldo negativo publicado em janeiro de 2020.

Com isso, de acordo com a consultoria, os estoques ao fim da temporada devem se posicionar em 71,3 milhões de toneladas, fazendo com que a relação estoque-uso recue para 38,3%, proporção que é 4,9 pontos percentuais inferior a 2018/19 e representa diminuição de 0,4 p.p. frente à estimativa anterior.

“Fica evidente que a piora nas perspectivas de produção de açúcar em países como Tailândia, China, Estados Unidos e México deve pesar significativamente sobre a oferta global. Dada sua flexibilidade, o Centro-Sul do Brasil deve ajudar a compensar – mesmo que parcialmente – a menor disponibilidade da commodity ao ampliar seu mix açucareiro na colheita do ano corrente”, avalia o analista de inteligência de mercado da INTL FCStone, Matheus Costa.

No que diz respeito à disponibilidade de açúcar, a consultoria espera que a produção totalize 177,7 milhões de toneladas em 2019/20, queda de 1,1 milhão de toneladas frente à publicação anterior e de 4,3% em relação a 2018/19.

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Na Tailândia, condições climáticas mais secas pressionaram o potencial produtivo da cana processada, reduzindo a expectativa de produção de açúcar em cerca de 4 milhões de toneladas frente a janeiro de 2020, para 8,5 milhões de toneladas (42,8% abaixo do observado em 2018/19).

Na China, onde a moagem manteve ritmo acelerado até fevereiro, impactos podem ser observados tanto na disponibilidade de mão-de-obra quanto de insumos para o normal prosseguimento da colheita e processamento, dadas as medidas de prevenção e controle do Covid-19. Esse cenário fez a INTL FCStone calcular produção de 10,2 milhões de toneladas (valor branco) de açúcar em 2019/20, volume que representa queda de cerca de 0,2 milhão de toneladas ante à última publicação, além de diminuição de 5,2% no comparativo com 2018/19.

Na Índia, a produção nos estados de Maharashtra e Karnataka continuou decepcionando, com registros da taxa diária de moagem se mostrando significativamente menor do que no ciclo passado. As expectativas da oferta indiana se mantiveram em 26,5 milhões de toneladas (valor branco) na temporada atual, retração de 19,5% em relação à anterior.

Em relação aos principais países produtores das Américas, Estados Unidos e México também devem entregar desempenho ruim, dadas as condições climáticas desfavoráveis, consolidando em 7,3 milhões de toneladas e 5,4 milhões de toneladas, respectivamente, segundo novos cálculos da INTL FCStone.

O Centro-Sul do Brasil, por outro lado, deve seguir tendência oposta, com usinas ampliando o direcionamento da cana à fabricação de açúcar. As estimativas são de que a produção no cinturão canavieiro brasileiro atinja 32,6 milhões de toneladas (tel quel) na colheita de 2020, crescimento de 3,2 milhões de toneladas no comparativo com a publicação anterior e de 25,1% em relação a 2018/19.

Pelo lado da demanda, pressionada pela disseminação de Covid-19 e perspectivas de menor crescimento da economia global, a INTL FCStone reduziu sua expectativa de procura mundial por açúcar frente à estimativa anterior, para 186,3 milhões de toneladas – valor que, ainda assim, representa crescimento de 0,6% no comparativo safra-a-safra.

Cristina Arinelli

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