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Açúcar: Mercado

Datagro estima déficit de 6,2 mi t de açúcar no mercado global em 2015/16


Reuters - 16 jun 2016 - 17:46

Após cinco ciclos de excedentes, haverá um déficit de 6,21 milhões de toneladas de açúcar no mercado global em 2015/16, afirmou nesta quinta-feira o consultor Guilherme Nastari, da Datagro, ressaltando que este número foi recentemente revisado.

Ele disse também que a consultoria estima um déficit ainda maior no mercado global na temporada 2016/17, de 7,1 milhões de toneladas, o que explica os preços mais sustentados internacionalmente. Na temporada 14/15, houve um excedente de 3,68 milhões de toneladas, segundo a Datagro.

De acordo com Nastari, essa oferta mais apertada tende a pressionar os estoques ao redor do mundo. A previsão da Datagro para a relação entre reservas e consumo em 2015/16 é de 44,5%, ou seja, 44,5% da demanda mundial pode ser atendida apenas com os estoques, desconsiderando-se a produção. Para o ciclo seguinte, o porcentual é de 39,8%.

Em âmbito nacional, Nastari destacou que a safra do Centro-Sul está muito exposta ao desenrolar climático. "Se (o fenômeno climático) La Niña vier mais forte, a safra pode terminar antes. Se tivermos mais geadas, teremos pressão no preço do açúcar", comentou.

Caracterizado pelo tempo mais seco no Brasil, La Niña deve se intensificar no segundo semestre, favorecendo a moagem de cana. Já as geadas podem provocar perdas nos canaviais, pois queimam as plantas.

O cenário de déficits globais deverá permitir que o setor no Brasil, o maior produtor e exportador global de açúcar, possa retomar investimentos com os melhores preços, após amargar um período de crise e alta no endividamento, que levou muitas companhias a entrar em recuperação judicial.

"Os melhores preços vão fazer com o setor melhore o nível de alavancagem e possa retomar investimentos", disse o analista, durante a sua palestra.

Ele acredita que a situação poderá voltar a atrair novos investidores globais. "Está proporcionando um ambiente para players internacionais começarem a olhar o Brasil", declarou.

Além da menor oferta no mundo, que eleva os preços internacionais, a indústria brasileira está sendo beneficiada pelo câmbio, que aumenta os preços em reais.

Usinas do Brasil já fixaram preços para 65% a 70% do açúcar

O diretor da Datagro, Guilherme Nastari, disse nesta quinta-feira, 16, durante painel no Seminário Perspectivas para o Agribusiness 2016-17, em São Paulo, que "entre 65% e 70% do açúcar (que o Brasil vai exportar) já está com os preços fixados". O porcentual supera o de anos anteriores, pois muitos produtores tiraram proveito da disparada do dólar e fizeram hedge. Conforme ele, o valor médio fixado ficou entre 14 centavos e 15 centavos de dólar por libra-peso.
 
Nastari acrescentou que a manifestação do fenômeno climático El Niño, que provocou chuvas em excesso no Centro-Sul do País, deve acabar na virada de julho para agosto, sendo substituído pelo La Niña, que se caracteriza por menos precipitações nas áreas produtoras da região. Isso pode contribuir com o andamento da colheita e moagem de cana pelas usinas.

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