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Açúcar: Mercado

Copersucar se torna líder global em açúcar


Valor Econômico - 05 abr 2013 - 08:26 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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O Brasil é o maior fornecedor global de açúcar desde 1995, quando desbancou União Europeia e Austrália nas exportações da commodity. Esse negócio sempre foi liderado por tradings multinacionais, e há pelo menos dez anos a americana Cargill é quem dava as cartas. Na última safra (2012/13), encerrada em 31 de março, as forças mudaram. A brasileira Copersucar assumiu a dianteira desse mercado, em consequência de sua própria estratégia agressiva de expansão e também da decisão da Cargill de recuar nessa frente, ao menos temporariamente.

A Copersucar, que no fim do ano passado já havia se tornado a maior trading de etanol do mundo, ao comprar o controle da empresa americana EcoEnergy, comercializou 8 milhões de toneladas de açúcar na temporada encerrada em 31 de março, cerca de 1 milhão a mais que no ciclo anterior. Já a movimentação da Cargill, que chegou a 9 milhões de toneladas em 2011/12, caiu para cerca de 7 milhões de toneladas, segundo fontes de mercado. As mesmas fontes dizem que a decisão da múlti de recuar foi tomada após perdas registradas na operação.

"As equipes da empresa estão muito desfalcadas, tanto no Brasil como em Genebra [Suíça], onde fica o comando dessa área", disse um trader ao Valor. Em nota, a Cargill informou que sua estratégia está direcionada a negócios de maior rentabilidade, com foco em margem, e não apenas em volume comercializado. A companhia afirmou que segue líder em açúcar, mas não revelou os volumes movimentados.

Conforme fontes da área, a estratégia da Cargill mudou após a queda de 56% em seu lucro líquido no exercício 2012, que começou em junho de 2011 e terminou em maio do ano passado. Pesaram nesse resultado negativo perdas em açúcar e algodão. Essa teria sido a razão da saída do executivo líder da área de açúcar da múlti, Jonathan Drake, que estava há 26 anos na companhia.

Com Drake, saíram quase todos os "executivos-chave" da operação. "Quase todo o comando mudou. Na Suíça, tomaram a frente os traders de grãos. No Brasil, também houve uma debandada e o líder foi para uma concorrente", afirma uma fonte. No auge, a americana chegou a movimentar globalmente 12 milhões de toneladas. Apesar de ter operações com diversas commodities em todo o mundo, a Cargill origina no Brasil cerca de 70% do açúcar que movimenta. Estima-se que 30% do volume da empresa vem de entregas na bolsa - com a liquidação física de suas posições compradas.

Exportações globais de açúcar

Outra questão que pesou é a própria mudança do mercado brasileiro de produção e comercialização de açúcar: tradings viraram usinas e usinas se fortaleceram na venda direta ao destino. Estima-se que, só com a estratégia mais agressiva das concorrentes Louis Dreyfus Commodities e Bunge na compra de usinas de cana no Brasil - entre 2009 e 2010 - a Cargill tenha perdido "usinas-clientes" que lhe vendiam 1 milhão de toneladas de açúcar.

Além disso, a empresa perdeu espaço portuário. Ficou com metade da operação que tinha no Terminal de Açúcar do Guarujá (Teag) depois que a Dreyfus comprou a Santelisa Vale e levou junto a parte da trading Crystalsev no terminal. "Quando a sociedade no Teag era com a Crystalsev, quem operava era a Cargill. Com a entrada da Dreyfus, a americana ficou só com 2 milhões de toneladas de capacidade", diz outro trader.

O apetite menor da Cargill, cuja receita global total alcança US$ 133 bilhões, coincidiu com a maior agressividade da Copersucar, que deverá faturar R$ 16 bilhões na safra 2012/13. Nas últimas três safras, a brasileira expandiu sua originação de açúcar no Brasil de 5,2 milhões de toneladas (2009/10) para 8 milhões de toneladas (2012/11), com a produção garantida de suas sócias, que respondem por mais 85% do total.

A empresa ampliou a capacidade de seu terminal portuário de 5 milhões para 7,5 milhões de toneladas e criou uma companhia de afretamento marítimo com a maior refinaria do mundo, a Al Khaleej Sugar (AKS), que lhe trouxe a vantagem logística que faltava. Também abriu recentemente uma subsidiária na China para ganhar mercado na Ásia, em compras e vendas de açúcar. "Temos um modelo de negócio com foco em açúcar bruto e que integra toda a cadeia, desde a produção, a logística e o destino", diz o presidente da Copersucar Paulo Roberto de Souza.

Os concorrentes reclamam que a brasileira tem uma estratégia agressiva de descontos aos clientes, sobretudo do VVHP, um açúcar bruto de maior qualidade e que hoje responde por um terço do volume exportado pela empresa. Mas a Souza rebate dizendo que a Copersucar está crescendo sem destruir margem. "Por estarmos em toda a cadeia, temos vantagens operacionais que os concorrentes não têm", explica.

Do total de 8 milhões de toneladas originadas em 2012/13 pela Copersucar, 6 milhões de toneladas foram embarcados ao exterior e 2 milhões, foram vendidos no mercado interno. Em 2013/14, a empresa pretende elevar seu volume total de açúcar para 9 milhões de toneladas. A Copersucar vende para as 12 maiores refinarias de açúcar do mundo sendo que, em algumas, é responsável por 60% a 70% do suprimento da commodity.

Contexto

Embalada pela boa demanda externa por açúcar e etanol, a Copersucar liderou as exportações do Estado de São Paulo no primeiro bimestre deste ano. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques totais da empresa somaram US$ 418,9 milhões em janeiro e fevereiro, 172,8% mais que no mesmo período de 2012. Boa parte do salto derivou da decisão estratégica de adiar vendas de cargas que poderiam ter sido exportadas no fim do ano passado, em busca de melhores preços. Nesse contexto, a Copersucar liderou o ranking paulista do primeiro bimestre à frente de Embraer (US$ 343 milhões), Raízen (US$ 337,5 milhões), Volkswagen (US$ 270,3 milhões) e Petrobras (US$ 236,7 milhões).

Fabiana Batista

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