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Açúcar: Mercado

Conferência da Kingsman dá poucas razões para otimismo a traders de açúcar


Bloomberg - 27 out 2017 - 16:26

A Platts 4th Annual Kingsman Miami Sugar Conference trouxe poucas razões para otimismo nessa semana. Os traders e analistas não debateram se o mercado global de açúcar se dirige para um excesso de oferta, e sim qual tamanho terá esse excesso e quanto os preços podem cair.

EXCESSO DE OFERTA

Na safra 2017-2018, que começou nesse mês, a produção global superará a demanda em algo entre 3,5 milhões de toneladas e 8 milhões de toneladas, disseram analistas. Já há projeções de nova abundância na próxima temporada, o que provavelmente manterá os preços baixos, disse Claudiu Covrig, analista sênior da Kingsman.

PREÇOS

O açúcar bruto já tem um dos piores desempenhos de 2017 entre as commodities, com queda de cerca de 28 por cento nos preços em Nova York. O preço se fixou em 14,11 centavos de dólar por libra-peso na quinta-feira. Mike Levitz, chefe de trading para as Américas da ED&F Man Sugar, prevê preços entre 12,5 centavos e 16 centavos de dólar na safra atual.

EXPORTAÇÕES

O assunto do momento no setor do açúcar é o fim das cotas na União Europeia, que deverá aumentar as exportações do bloco. Mas parece haver mais oferta vindo de todos os lados. Índia e Tailândia, maiores produtoras da Ásia, terão safras maiores. Ucrânia, Rússia e Paquistão deverão ampliar as exportações. Até mesmo a produção de Cuba deverá aumentar nos próximos anos, segundo a Kingsman. As projeções de compras da China no exterior pouco mudaram, ou seja, os vendedores deverão lutar por um número limitado de clientes, disse Covrig.

CLIMA

O que poderia acabar com a queda do preço do açúcar? O clima é sempre um fator, e ainda pode frustrar os ganhos da safra. No Brasil, a seca do início do ano pode ter prejudicado o potencial de rendimento e as lavouras antigas de cana-de-açúcar do País também podem acabar limitando a produtividade.

ETANOL

Além disso, preços de menos de 15 centavos de dólar não são viáveis para os produtores da Tailândia, da Índia ou da UE, disse Covrig, da Kingsman. O açúcar mais barato também estimula a demanda. E há uma perspectiva positiva para a indústria de etanol do Brasil. Com a decisão do País de impor taxas às importações do biocombustível, uma parcela maior da cana pode ser desviada para a produção de etanol, disse Aakash Doshi, analista do Citigroup, na conferência. Ele disse que os preços do açúcar poderão subir para 17 centavos de dólar em 2018.

Por Marvin G. Perez