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Açúcar: Mercado

CEO global da Coca-Cola argumenta que “não há nada de errado com o açúcar”


UOL - 18 jul 2019 - 07:34
CEO da Coca-Cola não acredita que imposto sobre bebidas açucaradas é eficaz para melhorar a dieta dos consumidores

O açúcar não é, em si, um vilão da saúde pública. O problema é consumi-lo em grandes quantidades. É o que afirma o CEO global da Coca-Cola, James Quincey, em entrevista exclusiva na série UOL Líderes.

O executivo diz que a empresa está adaptando seu portfólio para oferecer produtos com menos açúcar e em embalagens menores para ajudar no combate à obesidade. Segundo ele, a Coca-Cola apoia os objetivos da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas não tem uma meta própria de redução dos níveis de açúcar em seus produtos.

Vários estudos mostram ligações entre açúcar e doenças crônicas, como câncer e diabetes. Como é ser uma empresa cujo principal produto é uma bebida açucarada?
Nós precisamos abraçar a realidade do mundo e ser parte da solução. Se você dedicar algum tempo a ouvir a OMS [Organização Mundial da Saúde], o que ela realmente diz é que não há nada de errado com o açúcar, você só não pode consumi-lo em grandes quantidades. E nós dissemos: ok, se o objetivo é esse – que o consumo de açúcar seja de apenas 10% das calorias totais diárias –, isso é o que nós vamos tentar ajudar as pessoas a fazer. Muitas já cumprem isso, outras consomem mais do que devem.

O que nós fizemos foi refletir: como podemos agir para ajudar a sociedade a lidar com o amplo problema da obesidade? E fizemos algumas coisas. Primeiro, pusemos informações nas embalagens, de maneira que todos saibam exatamente o que há nos produtos, não existe mistério. Também reformulamos alguns produtos e baixamos o nível de açúcar deles para avaliar se os consumidores vão aceitar a redução, e tivemos alguns sucessos com isso.

Desenvolvemos várias embalagens menores, de garrafas e latas, para ver se as pessoas passam a controlar as porções que consomem. E estamos inovando em novas categorias de produtos, que naturalmente já apresentam níveis menores de açúcar. Então, estamos adaptando nosso portfólio para oferecer mais opções e também estamos mudando o perfil do nível de açúcar para ajudar as pessoas a controlar o consumo. Como você pode ver, o objetivo é que consigamos fazer nosso negócio crescer e, ao mesmo tempo, reduzir a quantidade de açúcar que vendemos.

A Coca-Cola tem alguma meta em relação à redução da quantidade de açúcar?
Nós não definimos uma meta porque estamos tentando ajudar cada consumidor. O que estamos tentando fazer é apoiar o objetivo da OMS de ajudar as pessoas a consumir o correspondente a no máximo 10% de açúcar do total de calorias diárias. Cada pessoa vai chegar a esse número de uma maneira diferente, consumindo diferentes bebidas.

Em parte, uma das maiores dificuldades ao ajudar as pessoas com as suas dietas é que elas consomem muitas coisas. Não é só uma questão de quanto açúcar há nas bebidas gaseificadas, no pão, nos biscoitos e em outras coisas que elas comem. É uma questão de como administrar o consumo de tudo isso.

Aumentar impostos sobre refrigerantes é eficaz para reduzir consumo de açúcar, segundo a OMS. O México fez isso, e, no Brasil, há um projeto de lei com esse propósito. O que acha disso?
É preciso decidir qual é o objetivo do imposto. Se for arrecadar mais, é claro que, se você aumentar o imposto, vai conseguir mais dinheiro. Mas se taxar apenas alguns setores, economistas vão dizer que isso tende a causar distorções e que é melhor taxar todo mundo. Se o objetivo do imposto for reduzir as calorias ou o consumo de açúcar, você não pode avaliar apenas o que acontece com os refrigerantes. É preciso olhar a dieta total.

Um professor renomado estudou o caso de Berkeley, na Califórnia [Estados Unidos], onde o imposto do açúcar foi adotado. É claro que o consumo de refrigerantes caiu, como esperado, mas o mais interessante foi a consequência disso no comportamento das pessoas. Veja: o desafio em relação aos refrigerantes é que há muitos substitutos. Se eu não como ou bebo isso, vou acabar comendo ou bebendo outra coisa.

No caso da Berkeley, as pessoas passaram a comprar outras comidas e bebidas, de tal forma que o consumo total de calorias subiu, em vez de cair. Então o imposto não só não reduziu o consumo de calorias como teve o efeito oposto.

Nossa posição é que podemos ajudar mais as pessoas a reduzir seu consumo de açúcar com ações da indústria para reformular produtos, criar embalagens menores e inovar com produtos sem açúcar, do que com imposto, porque isso simplesmente transfere o consumo de um produto para outro.

O senhor acha que algum dia haverá um substituto com o mesmo sabor do açúcar?
Não, não em um futuro próximo.

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Mariana Bomfim
Clique aqui para ler a entrevista completa


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