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Açúcar: Mercado

Arnaldo Luiz Corrêa: O mercado bem que ensaiou uma reação, mas…


Arnaldo Luiz Corrêa - Archer Consulting - 18 jul 2015 - 11:34

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana com o vencimento outubro/2015 cotado a 11.96 centavos de dólar por libra-peso, um colapso de 45 pontos em relação à semana anterior (perda de 10 dólares por tonelada). Os meses com vencimento mais curto sofreram mais como reflexo da falta de demanda.

NY bem que tentou subir. Na segunda e terça-feira, por exemplo, o outubro chegou a apreciar 96 pontos em relação à mínima da semana anterior (11.84 centavos de dólar por libra-peso). O número de contratos em aberto no açúcar, no entanto, caiu com a alta de preços, indicando que não teriam ocorrido novas compras (que em tese quer dizer havia compradores dispostos a abrir novas posições no nível de preços), mas sim uma cobertura de posições vendidas a descoberto (ou seja, vendedores que estavam recomprando suas posições para tomar lucro apenas). No entanto, surpreendentemente os fundos aparecem agora como ligeiramente long (comprados), isto é, estavam vendidos, recompraram suas posições elevando o nível de preços do mercado e acabaram com uma posição líquida comprada em 9.000 contratos (450 mil toneladas de açúcar equivalente).

Só que o mercado caiu na semana. A percepção que se tem agora é de que os fundos podem ter “errado a mão” colocando um alerta de que o pregão abra em baixa na segunda feira. Vamos ver.

A entrega de açúcar tailandês contra o vencimento do contrato de açúcar branco em Londres ocorrido na semana passada, dá uma imagem clara de como está o mercado mundial da commodity com os produtores atravessando grande dificuldade para encontrar um destino para sua mercadoria. Muito embora a perspectiva do balanço global da oferta e demanda aponte para um déficit, o fato incontestável é que o déficit é insuficiente para reduzir os estoques mundiais. Ou seja, antes que o comprador surja com sua lista de compras ele vai primeiro consumir o que está no quintal de casa. Com isso a pressão sobre os mercados e sobre os spreads mais curtos é apenas consequência.

O mercado de açúcar sofre o efeito de três eventos impactantes:

O primeiro é que o volume de moagem até o momento é maior do que o ano passado e, como já dissemos aqui, embora o peso disso, em si, seja irrelevante, o mercado carente de boas notícias acaba potencializando qualquer notícia minimamente baixista; o segundo é que pelos números divulgados pela ANP e publicado aqui há algumas semanas, o consumo de combustível deve crescer menos. Os 5.22% de crescimento anualizado no período compreendido entre junho/2014 e maio/2015 vão perder forca ao longo deste ano calendário. Menos consumo significa menos gasolina, menos anidro, menos hidratado, mais disponibilidade de açúcar; o terceiro, e não menos importante, é o recrudescimento do cenário político que tende a piorar e deve afetar o real.

Esses três eventos combinados tornam difícil uma recuperação de preços de magnitude. Pelo modelo que temos mencionado aqui, o preço médio esperado no mês outubro (que se refere ao mês de negociação de março de 2016) é de 13.77 centavos de dólar por libra-peso. Como o vencimento março/2016 encerrou a sexta-feira negociado a 13.35, isso da uma dimensão do extraordinário marasmo que teremos pela frente.

Projeção de preço para o açúcar em 2015

O preço médio do litro da gasolina no Brasil de abril até junho foi de R$ 3.3000. Apenas como comparação, o preço médio negociado no mundo nesse mesmo período foi de R$ 4.5600 o litro. Isso não quer dizer que estejamos defasados nessa magnitude já que o preço médio informado é global (no Reino Unido, por exemplo é de R$ 5.7300 o litro). De qualquer modo a defasagem brasileira comparando com o preço do petróleo equivalente no mercado internacional é de aproximadamente 6%.

O volume de contratos em aberto em NY mostra quão enfraquecido o mercado está. A posição é de apenas 790.000 contratos. É a mais baixa do ano e a mais baixa de um mês de julho desde 2012. Menor crédito por parte das tradings e instituições financeiras para as operações de hedge das usinas diminuem a janela de fixação e consequentemente o volume. Se olharmos a posição em aberto de julho e compararmos com março (que deveria contemplar ainda os hedges em futuros feitos para os embarques de maio e julho, pico de volume no Centro-Sul) a queda é a maior desde 2010 (7.5%).

Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting


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