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Açúcar: Mercado

Açúcar deve se manter em alta em Nova York com dólar fraco e números da Unica


Agência Estado - 09 out 2015 - 09:51

O enfraquecimento do dólar ante o real e os dados atualizados de moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil sustentaram ganhos ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A tendência positiva do mercado é reforçada pela perspectiva de déficit na produção global em relação à demanda, na recém-iniciada safra 2015/16 (outubro 2015 a setembro 2016).

A moeda norte-americana recuava ontem em relação ao real, pressionada por declarações de políticos relacionadas à apreciação das contas públicas da gestão Dilma em 2014 pelo Congresso. No exterior, a expectativa era a apresentação da ata do Federal Reserve, às 15h, depois do fechamento do mercado do açúcar. "O dólar de volta a R$ 3,80 ajuda a sustentar os futuros de demerara", diz o analista João Paulo Botelho, da INTL FCStone.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou ontem que as usinas do Centro-Sul do Brasil moeram 40,47 milhões de toneladas de cana nos últimos 15 dias de setembro, crescimento de 40,43% sobre a mesma quinzena de 2014. Apesar do aumento expressivo, a própria Unica ponderou que a comparação deve ser analisada com cautela porque no ano passado chuvas prejudicaram a colheita no período.

"Embora o volume (40,47 milhões de t) seja expressivo, as usinas aparentemente não estão trabalhando a todo vapor, informa Botelho. Há relatos de que as chuvas estão atrapalhando a moagem, principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul. O Banco Pine estimava que a moagem na segunda quinzena de setembro alcançaria 43 milhões de t.

O analista observa, no entanto, que os indicadores gráficos estão sobrecomprados, sugerindo necessidade de uma correção técnica. No médio prazo, a expectativa é que os contratos continuem a trabalhar acima de 13 cents. "O fundamento de déficit global na safra 2015/16 deve manter o mercado sustentado", comenta. A INTL FCSTone estima que a demanda mundial deverá superar a produção em 3,8 milhões de t em 2015/16.

Pelos gráficos, o mercado rompeu a resistência a 13,98 cents (máxima de 14 julho) e o próximo objetivo está em 14,17 cents. Os contratos têm suporte a 13,39 cents, 13,24 cents e 12,99 cents.

O mercado também continua na expectativa de notícias da Índia. Recentemente, o governo indiano anunciou que exigiria que as usinas exportassem 4 milhões de t de açúcar, para aliviar os estoques, estimados em cerca de 9,6 milhões de t. Até o momento, no entanto, o governo não apresentou as regras para os embarques, nem se haverá subsídios aos exportadores. "Se confirmada, a medida seria um fator baixista", diz Botelho.

Hoje à tarde a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) divulgará novo relatório, referente à semana encerrada em 6 de outubro, com posicionamento de traders. A expectativa é que os fundos e os especuladores tenham aumentado a posição comprada em açúcar. No levantamento anterior, até 29 de setembro, esses participantes estavam com saldo líquido comprado de 25.992 lotes.

O spread março/maio estreitou um pouco ontem, para 24 pontos ante 26 pontos no dia anterior. A estrutura do mercado, porém, se mantém invertida, com o primeiro vencimento (março/16) mais valorizado do que os contratos mais distantes.

Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam nos dois lados do mercado ontem, mas acabaram fechando em alta, apoiados pelo enfraquecimento do dólar. O vencimento março/16 encerrou com elevação de 3 ponto (0,21%), a 14,01 cents. A máxima foi de 14,05 cents (mais 7 pontos). A mínima bateu 13,70 cents (menos 28 pontos).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou em R$ 60,75/saca (+1,57%). Em dólar, o preço ficou em US$ 15,94/saca (+3,31%).

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