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Açúcar: Mercado

Açúcar: fatores externos e problemas internos — Arnaldo Luiz Corrêa


Arnaldo Luiz Corrêa - Archer Consulting - 11 jul 2015 - 14:41 - Última atualização em: 13 jul 2015 - 12:07

Os fatores externos estão afetando o mercado de açúcar, impedindo que a reação de preços na bolsa de NY tenha longa duração. No meio da semana que passou vimos as cotações do açúcar despencarem pesadamente. Culpe-se o preço das commodities caindo no mercado chinês, ou da bolsa de valores daquele pais, que tem se desvalorizado de maneira pesada. O petróleo, por exemplo, apenas neste mês já perdeu quase 12% (WTI) e 8% (Brent). Embora o preço médio da gasolina no Centro-Sul ainda esteja abaixo do mercado internacional em aproximadamente 7.4%, com essa queda do petróleo, o reajuste de preços da gasolina por parte da Petrobrás pode ser adiado, se mantida essa tendência de baixa. Não é boa notícia para as usinas.

O que originalmente pensávamos era que mais cana iria ser direcionada ao etanol em função de preços mais remuneradores do que o açúcar. O que se tem visto nos últimos dias, porém, é uma queda no preço do hidratado em função da pressão de venda por parte das usinas para fazer caixa e atender seus compromissos financeiros mais prementes. Além disso, o real se desvalorizou de forma acentuada na última semana, o que deve ter ajudado ao mercado de açúcar em NY cair mais. Não é boa notícia para as usinas.

Além de tudo, o número de moagem de cana publicado pela Unica esta semana atingiu recorde de 46.5 milhões de toneladas e é claro que o mercado - mais imediatista que um adolescente - reagiu de pronto como se não houvesse amanhã. Algumas empresas estão colocando o número de moagem para 2015/2016 próximo a 600 milhões de toneladas.

Apesar do cenário acinzentado, NY acabou encerrando a semana basicamente inalterado no primeiro mês de vencimento, com o contrato de outubro/2015 fechando a 12.41 centavos de dólar por libra-peso, pouco mais de 2 dólares por tonelada acima do fechamento da semana anterior. Os demais meses, no entanto, fecharam mais fracos com quedas de até 3 dólares por tonelada. Dessa forma, nada existe para animar pois o outubro sofre a influência da percepção de curto prazo que o mercado forma. O spread outubro/2015- março/2016, que chegou a negociar a 160 pontos de desconto, fechou a 124 pontos, depois de ter estreitado até 105 pontos.

O custo de produção de açúcar pelo modelo da Archer é de R$ 38.9823 por saca posto usina, o que equivale aproximadamente a 12.54 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos. Ou seja, hoje a exportação tem margem negativa. Apesar dos diferentes custos que temos visto no mercado, acredito que o hidratado tem uma rentabilidade ligeiramente maior, mas ainda assim nada que justifique o mercado internacional de açúcar se animar.

O preço médio de fechamento do açúcar em NY no mês de junho foi de 11.75 centavos de dólar por libra-peso, quase 22% abaixo do preço médio de janeiro, a queda mais acentuada relativa a esses dois meses desde 2010. O preço médio de 11.75 centavos de dólar por libra-peso remete ao modelo da Archer estimando o pico máximo de preço para outubro/2015 (mês de negociação de março/2016 na bolsa) em 15.69 centavos de dólar por libra-peso.

Nesta semana tivemos em São Paulo, mais uma edição do Ethanol Summit, um dos principais eventos do mundo voltados para as energias renováveis, particularmente o etanol e os produtos derivados da cana-de-açúcar, que ocorre a cada dois anos organizado pela UNICA. No primeiro painel que anunciava uma palestra do presidente da Petrobras Aldemir Bendine, a plateia foi surpreendida com a desculpa dada pelo executivo da estatal do petróleo, que lamentava ter que se retirar mais cedo em função de outro compromisso inadiável. Ou seja, uma falta total de respeito para com aqueles que estavam presentes ansiosos para ouvir do presidente acerca da situação da empresa e suas relações hoje no setor sucroalcooleiro.

Custo a crer que para um evento dessa importância, que ocorre a cada dois anos, o prezado executivo não tenha se dignado a bloquear sua agenda. A verdade nua e crua é que receoso do possível constrangimento pelo qual iria passar na mesa da plenária e das possíveis provocações do excepcional jornalista William Waack, que uma vez mais conduziu o evento com maestria, certamente não deixaria escapar a oportunidade para tocar no assunto “petrolão". O executivo da estatal saiu pela porta dos fundos. Em sua breve apresentação à plateia tropeçou no vernáculo a sapateou sobre a pobre língua portuguesa. É essa a cara do Brasil de Dilma e seus executivos amestrados.

Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting


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