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Açúcar: Mercado

Açúcar fecha estável em Nova York e mercado não descarta novas correções


Agência Estado - 20 out 2015 - 09:42

Após operar em queda na maior parte do pregão e inverter a direção minutos antes do fechamento da sessão, os contratos futuros do açúcar demerara encerraram praticamente estáveis na segunda-feira. O vencimento março, o mais negociado atualmente, recuou 1 ponto (0,07%) e fechou a 14,26 cents por libra-peso. Os demais contratos registraram ganhos.

Dois fatores pesaram sobre as cotações da commodity ontem. Um deles foi o relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) divulgado na sexta-feira, que revelou, novamente, aumento da posição comprada em açúcar em Nova York por fundos de investimento e especuladores. O saldo líquido comprado chegou a 133.408 lotes no último dia 13, acima dos 91.808 de 6 de outubro.

"Foi uma alta bem grande, que está rivalizando com as máximas de 2014, entre maio e junho, na casa de 137 mil lotes comprados", afirmou o analista da FC Stone, João Botelho. Além disso, o dólar forte sobre o real pressionou as cotações da commodity. Perto do horário de fechamento, a moeda norte-americana era cotada a R$ 3,8940. Mais tarde, fechou a R$ 3,8890, alta de 1,28%.

Tanto o câmbio como o posicionamento dos fundos podem continuar influenciando os preços da commodity nos próximos dias, segundo analistas. Para eles, ainda há espaço para correções, seja pelas sucessivas altas das últimas sessões, seja pelo grande saldo líquido de posições compradas.

Há ainda outro fundamento baixista observado por analistas: o baixo volume de negociações no físico, sem grande interesse dos compradores e prêmio pouco atrativo. A avaliação é de que o mercado futuro pode estar sendo movido mais por especulação e que podem haver novas correções nas negociações.

Apesar disso, outros fatores seguem no radar do mercado. Um deles é a perspectiva de que a Índia não deve cumprir sua meta de exportar 4 milhões de toneladas de açúcar, o que agravaria ainda mais o cenário projetado de déficit global do produto na atual temporada.

Nos últimos dias, o prognóstico de mais chuvas em importantes regiões produtoras do Brasil foi reforçado. Estima-se que precipitações até 70% acima da média histórica devem atingir as regiões de São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, o que pode levar à moagem menor que a esperada e volume maior de cana bisada no próximo ano.

Caso isto se confirme, as usinas devem continuem priorizando o etanol em detrimento do açúcar, ainda que a commodity venha remunerando melhor que o combustível. Comentário semanal da Archer Consulting aponta que o preço da commodity, considerando só o fechamento do primeiro mês de negociação no mercado futuro de açúcar em NY, convertido em reais pela taxa do câmbio de fechamento do dia do Banco Central, atinge R$ 1.250 por tonelada.

A última vez em que os preços atingiram tal patamar em reais foi em fevereiro de 2011 (32.68 cents por libra-peso e dólar a R$ 1,6800). A média dos últimos cinco anos foi de R$ 942 por tonelada, ainda segundo a Archer.

A opção pelo etanol também se explica pelo fato de as usinas precisarem gerar caixa rapidamente. Enquanto distribuidoras de combustíveis pagam em poucos dias, o retorno pelos volumes exportados só chega às usinas semanas depois.

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No longo prazo, porém, a boa valorização do açúcar pode influir no mix de produção das usinas na safra 2016/17, fator que não passa despercebido pelo mercado. Relatório do Banco Pine divulgado hoje reafirma que a atratividade dos preços relativos do etanol está no pior momento dos últimos anos, o que deve influenciar a decisão das usinas sobre o mix entre açúcar e etanol - não tanto no curto prazo, mas mais para o final do ano.

O Pine estima que, no acumulado da safra atual, o volume de açúcar produzido, 25,6 milhões de toneladas, é 6,9% menor que as 27,4 milhões de t do mesmo período de 2014/15.

A cotação entre o primeiro e o segundo vencimento na ICE se mantém invertida. O spread março/maio recuou dos 22 pontos na sexta-feira para 20 ontem. As próximas resistências a serem rompidas se mantêm nos 14,42 cents (de 19 de maio) e 14,94 cents (de 12 de maio).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou R$ 65,44/saca (+0,17%). Em dólar, o preço ficou em US$ 16,83/saca (-1,06%).

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