Açúcar: Mercado

Açúcar continuará perdendo espaço para etanol nesta safra de cana


DCI - 30 jul 2013 - 09:17

O direcionamento da moagem de Cana-de-açúcar para a produção de Etanol deverá ser maior do que o previsto no início da safra 2013/2014, segundo representantes e analistas do setor consultados pelo DCI. No início da colheita, a perspectiva já era de que a produção sucroalcooleira deste período pudesse ser destinada preferencialmente ao álcool. Na safra passada, o Etanol do Centro-Sul consumiu 50,59% do volume de cana colhido.

"Todo o incremento dessa safra vai ser direcionado à produção de Etanol", estima o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) Antonio de Pádua . De acordo com a projeção da entidade, o setor moerá nesta safra 589,6 milhões de toneladas, 56,8 milhões a mais do que no período anterior.

A tendência alcooleira vem ocorrendo desde o início da colheita até metade de julho, de acordo com o último relatório da Unica. Até metade do mês, 57,45% do volume colhido foi direcionado para o Etanol.

A preferência pela produção de Etanol já vinha sendo ditada pelos baixos preços do açúcar no mercado internacional neste ano, mas o fator climático entrou como novo estímulo. Segundo Plinio Nastari, presidente da Datagro, "as chuvas que vêm ocorrendo desde o fim de maio, com maior intensidade em junho, e agora em julho, seguidas dessa geada afetando principalmente as regiões canavieiras do Paraná, Mato Grosso do Sul e Pontal do Paranapanema (SP) estão levando à tendência de redução do teor de açúcar na cana, dificuldades no aproveitamento de tempo das usinas para a moagem e a inversão de açúcares contidos na cana, dificultando a fabricação de açúcar e favorecendo a produção de Etanol". Ele aposta em um mix de produção alcooleira "mais do que o inicialmente estimado".

Impacto no preço

O preço do Etanol no mercado interno já tem caído com o avanço da colheita. Entre 15 e 19 de julho, o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)/Esalq do Etanol hidratado combustível em São Paulo recuou 3,3% na semana e fechou em R$ 1,0978 o litro.

Pádua aposta numa reversão dessa tendência com o aumento da demanda por Etanol na bomba. Apesar do aumento de 27,11% nas vendas no Centro-Sul na primeira quinzena, na comparação com o ano passado, o diretor da Unica acredita que "a demanda ainda não veio". "Esse aumento deveria ter acontecido desde o início da safra, mas só aconteceu nas últimas duas quinzenas. Precisa continuar nesse patamar."

Camila Souza Ramos