Açúcar: Mercado

Açúcar bruto segue estável no mercado doméstico após entrega recorde na ICE

Vendas à vista da commodity seguem firmes, pois fundamentos de mercado dão suporte à demanda


S&P Global Platts - 06 out 2020 - 10:11

Por Nicolle Monteiro de Castro*

Em 5 de outubro, uma comercialização de 50 mil toneladas de açúcar VHP a serem embarcadas em outubro (FOB Santos) foi registrada no mercado de revenda com desconto de 40 pontos sobre o contrato de março, que representa o próximo vencimento entre os futuros da commodity negociados na ICE, em Nova York. Este volume foi considerado alto e o desconto foi tido como pequeno, levando em conta os números do vencimento de outubro.

Em 30 de setembro – com o fechamento do contrato de outubro da ICE –, o mercado recebeu cerca de 2,6 milhões de toneladas da commodity. Quase toda esta quantia foi proveniente de portos do Centro-Sul, com apenas 8,5 mil toneladas divididas entre Argentina e México.

Inicialmente, participantes do mercado estimaram que a demanda à vista para revendas seria baixa, já que a maioria dos potenciais compradores seria abastecida com este açúcar. No entanto, o apetite de compra parece permanecer ativo.

A S&P Global Platts avaliou o açúcar VHP para carregamento em outubro (FOB Santos) em 13,22 centavos de dólar por libra-peso, alta de 30 pontos em relação ao último pregão do contrato futuro de outubro, em 30 de setembro. Para efeitos de comparação, a avaliação ficou 135 pontos acima do mesmo período do ano anterior, quando apenas 174 mil toneladas foram entregues no vencimento de outubro.

Além da demanda estável após o vencimento – sustentando os argumentos de um mercado altista –, o desconto de 40 pontos na recente negociação em relação ao contrato de março resultou em um prêmio considerado elevado. A média do spread outubro-março dos últimos cinco pregões foi de menos 47 pontos.

Após a negociação, os lances permaneceram com descontos de 45 pontos, mas sem vendedores disponíveis no mercado à vista.

Os fundamentos que sustentam a alta foram atribuídos às incertezas quanto à decisão do governo indiano sobre o destino das exportações 2020/21 – ou seja, o subsídio às exportações – e o tempo seco no maior fornecedor global de açúcar, o Brasil.

* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts

Com tradução novaCana.com


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