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Açúcar: Mercado

Investidores esperam perdas amargas com açúcar em 2019


Bloomberg / novaCana.com - 17 dez 2018 - 12:33 - Última atualização em: 17 dez 2018 - 17:23

A produção de açúcar está encerrando 2018 de forma amarga, graças aos sinais de que o colapso nos preços pode piorar ainda mais em 2019.

Os valores futuros caíram 17% este ano – o que foi uma segunda perda anual consecutiva – já que a produção global em alta provocou um excesso de oferta. O único fator que impediu uma derrota ainda mais profunda foi a demanda robusta por etanol no Brasil, o maior produtor e exportador de açúcar do mundo. Por outro lado, este recuo parece estar saindo de cena.

Os usineiros têm a possibilidade de transformar as colheitas em açúcar ou biocombustíveis. Em 2018, os altos preços da gasolina fizeram com que os produtores brasileiros preferissem produzir etanol, ajudando a limitar o excesso de açúcar. Porém, a recente queda do petróleo bruto sinaliza que a tendência está prestes a se inverter.

A maioria dos motoristas no país tem carros flex e, tradicionalmente, os consumidores escolhem o renovável quando seu valor está abaixo de 70% do preço da gasolina. Com o petróleo em queda, as perspectivas para o consumo do combustível fóssil estão melhorando e, como resultado, os preços do etanol estão caindo.

Em 2019, as usinas podem produzir até 13% a mais ao transformar a cana em açúcar em vez de biocombustível, segundo dados da consultoria FG/A – isso se compara a um desconto de até 30% para o açúcar este ano.

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Nos níveis projetados para os prêmios, os preços provavelmente serão atraentes o suficiente para estimular os usineiros a produzirem mais 2 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2019/20, que começa em abril, segundo Willian Hernandes, sócio da FG/A, em entrevista por telefone à Blooomberg.

A previsão do consultor se refere ao Centro-Sul. Enquanto isso, a Marex Spectron vê a mesma região produzindo 28,8 milhões de toneladas na próxima temporada, um salto de 2,3 milhões de toneladas. O potencial máximo para produção adicional seria de 10 milhões de toneladas.

As perspectivas de maior moagem no Brasil provavelmente seguirão com a queda do açúcar a partir deste ano. Os futuros atingiram uma baixa de 10 anos, de 9,91 centavos de dólar por libra-peso, em agosto, em meio às perspectivas de um superávit recorde, apoiado por colheitas abundantes da União Europeia à Tailândia.

O mercado teve uma breve pausa em meio a fatores relacionados ao tamanho das exportações da Índia e a demanda de etanol crescente no Brasil. Com isso, o petróleo começou a declinar, cortando as perspectivas para o biocombustível e arrastando o açúcar para baixo.

Além disso, os investidores estão apostando em mais quedas. Os fundos de hedge mantiveram uma posição de venda líquida de açúcar de 5.810 futuros a partir de 11 de dezembro, de acordo com dados da Comissão de Futuros de Commodities dos Estados Unidos, publicados na última sexta-feira. A holding, que mede a diferença entre apostas em um aumento de preço e apostas em declínio, teve resultados negativos por três semanas consecutivas.

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Ainda há dúvidas sobre o açúcar em 2019, afinal, as flutuações cambiais podem desencadear a volatilidade, já que o declínio das exportações nacionais torna os comerciantes mais ávidos mais propensos a venderem com preço em dólares.

A produção de açúcar na Índia, o segundo maior produtor, pode acabar prejudicada, já que os rendimentos em algumas áreas estão encolhendo. As informações foram concedidas à Bloomberg via e-mail por Dev Gill, diretor de opções de açúcar e grãos da Marex Spectron. Na União Europeia, os baixos preços do açúcar podem levar produtores de beterraba a mudar as plantações para safras de trigo, que são mais lucrativas.

Por outro lado, há um ponto consensual entre analistas e comerciantes: o petróleo bruto vai arrastar o açúcar, seja para cima ou para baixo.

"Estamos em um longo período de incertezas enquanto aguardamos o início da safra do Brasil em 2019", disse Michael McDougall, vice-presidente sênior da ED&F Man em relatório divulgado em 12 de dezembro.

Fabiana Batista - Bloomberg

Com tradução novaCana.com