Açúcar: Exportação

Rumo bate recorde de volume embarcado em Santos e se organiza para investimentos


Agência Estado - 23 jun 2020 - 07:54

Enquanto a pandemia tem deixado diversos setores da economia em compasso de espera, outros deslancham. É o caso dos negócios de transporte da Rumo. A empresa bateu recorde em maio de volume total embarcado no seu terminal portuário em Santos (SP), que atingiu de 1,647 milhão de toneladas, 11% a mais do que o recorde anterior, em setembro de 2017. Desse volume total em maio, 60% foi de açúcar e 40% de soja.

A empresa, que acabou de conquistar a renovação da Malha Paulista, tem no seu caminho novos investimentos com o objetivo de elevar ainda mais sua capacidade. Uma das metas é começar a rodar nos próximos 10 meses com trens de 120 vagões na malha, contra 80 atualmente.

De acordo com o vice-presidente da Operação Norte da Rumo, Darlan Fábio de David, o recorde alcançado pela empresa veio na esteira do dólar mais valorizado e preços mais remuneradores para as commodities agrícolas.

“Além disso, a Rumo tem feito uma série de investimentos para melhorar eficiência e capacidade. As manutenções preventivas da empresa em Santos foram feitas em janeiro, abrindo espaço para esse crescimento agora”, disse.

A operação Norte da Rumo responde pelas concessões ferroviárias da Malha Norte e Malha Paulista, além dos terminais de transbordo localizados nos estados do Mato Grosso e São Paulo, e tem forte vocação para commodities como soja, milho, farelo de soja e açúcar.

A empresa bateu também o recorde de maior volume embarcado em 24 horas no terminal santista, com um total de 100,28 mil toneladas em 29 de maio. O recorde anterior era de 99,21 mil toneladas, em 15 de setembro de 2018. O volume total recebido no mês (rodovia + ferrovia) também foi o maior da história: 1,544 milhão de toneladas, 9% a mais do que no recorde anterior, de agosto de 2016.

O agronegócio brasileiro tem trazido a sustentação necessária para a Rumo mesmo durante o período de pandemia. “Quando tem uma crise, o agro é o último a sofrer. O Brasil deve exportar 74 milhões de toneladas de soja neste ano e 33 milhões de milho. Somente Mato Grosso deve exportar 22 milhões de toneladas de milho e nós, em geral, respondemos por 50% dessa exportação via Santos”, disse.

No primeiro trimestre, a companhia viu seu volume transportado recuar 7,6% na comparação com igual período de 2019, pressionado pela entrada tardia da safra de soja, assim como um ataque hacker que comprometeu as operações em meados de março.

Os desafios, segundo David, foram superados. A empresa se prepara para um bom segundo trimestre. “Abril e maio foram muito bons. Maio tivemos três recordes. Junho também está avançando bem", destacou. De soja, o Brasil ainda tem para escoar cerca de 37 milhões de toneladas, enquanto a colheita do milho no Mato Grosso está na casa dos 7% (o grão tem mais força no segundo semestre).

Na semana passada, a empresa inaugurou a ampliação do terminal de Rondonópolis. Antes, a movimentação média do terminal era de 19 milhões de toneladas por ano. Com as obras de ampliação, a estrutura terá capacidade para 25 milhões de toneladas de milho, soja e farelo.

Malha Paulista

No fim do mês passado, o Ministério da Infraestrutura e a Rumo fecharam o contrato de renovação da concessão da ferrovia Malha Paulista por mais 30 anos. O sinal verde veio após quatro anos de tratativas entre governo federal, empresa e órgãos de controle para viabilizar a renovação antecipada. Os investimentos a serem realizados pela concessionária somam mais de R$ 6 bilhões em obras, trilhos, vagões e locomotivas e serão realizados nos primeiros cinco anos de contrato.

Segundo Darlan Fábio De David, o próprio investimento da Rumo no terminal em Rondonópolis, assim como as obras na Malha Paulista, casam com a expectativa de crescimento da produção de grãos no Mato Grosso. "O estado tem perspectiva de dobrar a exportação em poucos anos". O executivo disse que a empresa tem feito os investimentos de forma inteligente para ir liberando gargalos no trecho. "Conforme a malha vai crescendo, vamos colocando trens maiores, mais vagões e conseguimos abrir capacidade", disse.

Questionado se a empresa pretende acelerar o ritmo de compra de fabricantes como a Randon, ele respondeu: "Vamos continuar comprando. O fato de ter trens maiores não necessariamente significa que terei de comprar tudo. A cada três trens de 80 vagões, eu consigo formar dois de 120. Mas temos pedidos confirmados e compramos constantemente".

Cristian Favaro

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