Raízen e Wilmar formam nova empresa: RaW, e devem comercializar 4,5 mi t de açúcar em 2017/18

A expectativa de comercializar 4,5 milhões de toneladas de açúcar por ano é para poucos. Para isso, a maior produtora brasileira da commodity, a Raízen Energia, e a trading Wilmar, de Singapura – uma das maiores compradoras globais de açúcar –, criaram a joint venture RaW.

Cada companhia tem 50% da nova inciativa, que, segundo informações da agência de notícias Bloomberg, deve começar a operar na safra 2017/18, que se inicia em abril para as usinas do Centro-Sul brasileiro. A nova joint venture deve exportar a produção da Raízen, de aproximadamente três milhões de toneladas de açúcar não refinado, além do produto originário de outras operações da Wilmar no setor açucareiro nacional.

Enfrentando a concorrência

Segundo o Valor Econômico, a parceria foi alvo de questionamentos. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a RaW sem restrições, mas diversas empresas consultadas pelo órgão expuseram preocupações com a concentração do mercado de açúcar para exportação, conforme documentos que constam no processo.

Ainda assim, o Cade considerou que há outras tradings no mercado com as quais os produtores podem negociar sua oferta. Além disso, também levou em consideração que boa parte do açúcar exportado pela Raízen já era movimentado pela Wilmar. O Cade observou, ainda, que nem a Raízen tem mais de 30% de participação na produção brasileira de açúcar nem a Wilmar tem mais de 30% da comercialização da commodity no país.

A RaW aparece como uma das maiores exportadoras de açúcar do país, mas ainda atrás da Alvean, parceria entre a Cargill e a Copersucar, que negociou 5 milhões de toneladas de açúcar nessa temporada. Poré, existe diferença no modelo de negócio entre a RaW e a Alvean. De acordo com o Valor, a RaW deve atuar apenas na originação de açúcar VHP, entregando nos portos na modalidade Free On Board (FOB), que reparte responsabilidades do embarque entre vendedor e comprador.

De acordo com informações divulgadas pela companhia, a RaW terá uma equipe com entre 10 e 15 pessoas, selecionadas de ambas as empresas. A nova companhia terá sede em Singapura e, a princípio, seu CEO será Jean-Luc Bohbot, chefe da divisão de açúcar da Wilmar. No Brasil, haverá uma subsidiária em São Paulo.

Parceria estratégica

Em entrevista à Bloomberg, o vice-presidente executivo de logística, distribuição e trading da Raízen, Leonardo Gadotti, afirmou que se trata de uma importante parceria estratégica. “Nosso incentivo principal é o potencial de melhorar ainda mais o retorno sobre a nossa produção por meio do fortalecimento da nossa presença no mercado internacional”, disse o executivo que, agora, também é presidente do conselho de administração da RaW.

Controladora de 24 usinas no país, só nos três primeiros meses da atual safra, a Raízen Energia moeu 22,4 milhões de toneladas de cana e comercializou 971 mil toneladas de açúcar – a maior parte destinada à exportação. No período, a venda da commodity gerou uma receita líquida de R$ 1,1 bilhão – um crescimento de 96,1% em comparação à receita líquida ajustada de R$ 568,7 milhões, reconhecida primeiro trimestre da safra 2015/16.

Por sua vez, a Wilmar vem expandindo sua participação no mercado sucroenergético desde 2010, quando adquiriu a Sucrogen, na Austrália, e a PT Jawamanis Rafinasi, na Indonésia. A empresa também conta com participações da marroquina Cosumar e da indiana Shree Renuka Sugars. No Brasil, essa presença é indireta, sem a participação em empresas.

Conforme o Valor Econômico, em 2015, a receita da empresa asiática apenas com o negócio de açúcar foi de US$ 4,4 bilhões. Desse total, 80% foram provenientes de operações de trading e, no total, o faturamento da Wilmar chegou a US$ 38,8 bilhões.

novaCana.com

Com informações da Bloomberg e do Valor Econômico

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