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Açúcar: Exportação

[Açúcar Update] Mercado de açúcar deve voltar a testar 20 cents no curto prazo


Agência Estado - 17 jun 2016 - 10:11

O mercado futuro de açúcar demerara encerra a semana com sinais altistas na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), apesar da leve queda de ontem. O clima adverso em importantes regiões produtoras do mundo, os fundos de investimento carregando uma grande posição comprada e o dólar enfraquecido ante outras moedas sustentam ganhos na bolsa. Desde o início do mês os contratos com vencimento em outubro acumulam valorização de cerca de 12%.

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A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) relatou ontem que a moagem na segunda quinzena de maio ficou 20% abaixo do mesmo período do ano passado. Os trabalhos de colheita também foram prejudicados na primeira quinzena de junho pelas chuvas fora de época.

Na Ásia, produtores de cana da Índia e da Tailândia enfrentam clima desfavorável, só que o problema é a estiagem. Esses países vão colher a cana apenas no fim do ano, mas é grande a preocupação com o desenvolvimento dos canaviais, carentes de água.

Diante da perspectiva de aperto na oferta global, o déficit na produção de açúcar (o primeiro após cinco temporadas de superávit) tem sido revisado por bancos e consultorias. No início deste mês, o Rabobank elevou sua projeção de déficit de açúcar na safra global 2015/16, de 6,8 milhões de t para 8,5 milhões de toneladas.

Ontem, no Seminário Perspectivas para o Agribusiness 2016/17, realizado em São Paulo, a Datagro estimou que a demanda vai superar a produção do alimento em 6,21 milhões de toneladas na atual temporada global, que se encerra em 30 de setembro. Já para o ciclo seguinte, a previsão é de um déficit de 7,10 milhões de toneladas. De acordo com Nastari, essa oferta mais apertada tende a pressionar os estoques ao redor do mundo. A previsão da Datagro para a relação entre reservas e consumo em 2015/16 é de 44,5%, ou seja, 44,5% da demanda mundial pode ser atendida apenas com os estoques, desconsiderando-se a produção. Para o ciclo seguinte, o porcentual é de 39,8%.

Os fundos de investimento e especuladores têm se mostrado confortáveis na posição comprada em açúcar na Bolsa de Nova York. Na semana encerrada em 7 de junho, esses participantes elevaram o saldo comprado em 41.489 lotes, passando de 298.931 contratos para 340.420 lotes. Hoje à tarde, a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) apresentará novo relatório semanal, referente à semana encerrada em 14 de junho. A expectativa é de que fundos e especuladores mostrem posição ainda mais comprada.

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A queda do preço do petróleo contribui para pressionar os futuros de demerara. Segundo analistas, o óleo perde força com a perspectiva de que o declínio na produção de xisto dos EUA, desde abril do ano passado, pode começar a se reverter, com o aumento no número de poços e plataformas em atividade.

O comportamento do dólar tem ficado em segundo plano. O índice do dólar acumula desvalorização de cerca de 1% este mês. Uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia tem estimulado uma onda global de aversão ao risco. O enfraquecimento da moeda favorece as commodities, de modo geral.

Pelos indicadores técnicos, Nova York tem resistência psicológica a 20 cents. Outro objetivo é a máxima de ontem, a 20,22 cents. Na parte de baixo, o suporte está em 19,50 cents e 19,35 cents.

O mercado de demerara em Nova York trabalhou com alta volatilidade ontem, chegando a superar o nível de 20 cents pela primeira vez desde 18 de outubro de 2013. O vencimento outubro acabou fechando em leve queda de 0,45% (9 pontos), a 19,76 cents. A máxima foi de 20,22 cents (mais 37 ponto). A mínima bateu 19,35 cents (menos 50 pontos).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou na sexta a R$ 84,88/saca (+0,71%). Em dólar, o preço ficou em US$ 24,47/saca (+0,58%).

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