Açúcar: Exportação

Demanda de açúcar da Índia pode cair, com bloqueio restringindo guloseimas

O consumo projetado pela Isma para 2019/20 é de 25 a 25,5 milhões de toneladas; as exportações de açúcar do país podem chegar a 5 milhões de toneladas na safra, que se encerra em 30 de setembro


Bloomberg - 14 mai 2020 - 08:20

A demanda indiana de açúcar neste ano provavelmente será menor do que a esperada inicialmente, com o fechamento de shoppings e restaurantes em todo o país restringindo o consumo de sobremesas, sorvetes e refrigerantes. A declaração é do diretor geral da Associação Indiana de Usinas de Açúcar (Isma), Abinash Verma.

O país do sul da Ásia é o maior consumidor de açúcar do mundo, mas a demanda na atual temporada – iniciada em 1º de outubro – deve totalizar entre 25 milhões e 25,5 milhões de toneladas. O volume representa uma queda ante as 26,5 milhões de toneladas esperadas anteriormente.

Em 2018/19, o consumo foi de 25,5 milhões de toneladas. Ou seja, a atual estimativa mais otimista prevê uma estabilidade.

Uma queda na demanda pode aumentar os estoques de adoçante do país, que já ocupam posições recordes, e potencialmente reduzir os preços locais. Isso pode levar algumas usinas de açúcar a aumentar as exportações, em uma tentativa de reduzir seus custos de estocagem.

Em 1º de outubro, no início da safra local, as usinas de açúcar indianas possuíam um estoque de cerca de 14,6 milhões de toneladas. O volume é suficiente para atender à demanda doméstica por mais de seis meses.

De acordo com a Isma, o consumo de açúcar cresceu em cerca de 1 milhão de toneladas nos primeiros cinco meses da safra – ou seja, no período de outubro a em fevereiro. Entretanto, as vendas podem cair em cerca de 1,5 milhão de toneladas ao longo de 2019/20, principalmente devido ao bloqueio anunciado em março, que reduziu a demanda pelo adoçante nos fabricantes de biscoitos, doces, sorvetes e refrigerantes.

Segundo o diretor da entidade, o uso industrial é responsável por até 65% da demanda por açúcar na Índia. Ele explica que os comerciantes locais podem comprar de 200 mil a 500 mil toneladas para reabastecer os estoques.

“As vendas de açúcar foram afetadas devido ao bloqueio em todo o país”, disse Verma em entrevista na quarta-feira. “Depois que o bloqueio terminar, poderá haver um surto na demanda das tradings, para reabastecer os estoques imediatamente”.

Ainda conforme Verma, as exportações desta safra podem exceder 5 milhões de toneladas, ajudadas pela demanda em países como Irã e Indonésia. Em março, as estimativas das tradings apontavam para um volume inferior a 5 milhões de toneladas.

O governo, por sua vez, quer que as usinas vendam 6 milhões de toneladas para o exterior, inclusive liberando subsídios para a redução dos estoques abundantes. Por conta disso, as usinas indianas já enviaram 3,6 milhões de toneladas, sendo que 4,2 milhões de toneladas já foram contratadas até o momento, segundo Verma.

“A Indonésia continuará importando açúcar da Índia, pois a produção de açúcar na Tailândia, um de seus principais fornecedores, cairá acentuadamente devido a uma seca”, disse Verma. Além disso, de acordo com ele, o Irã e a Indonésia estão oferecendo preços mais altos em comparação com os oferecidos no mercado mundial.

Verna também relata que novas regras tarifárias da Indonésia para a compra de açúcar da Índia reduzem o custo de importação em US$ 20 por tonelada, na comparação com os preços globais. Uma escassez do adoçante na Indonésia levou as usinas do país a pedir aos consumidores que reduzissem o uso de açúcar depois que os preços de varejo atingiram o valor mais alto em quase quatro anos.

Pratik Parija
Com tradução novaCana.com