Açúcar: Exportação

Czarnikow levanta possibilidade de choque na oferta de açúcar a partir de 2022/23


Notícias Agrícolas - 30 mar 2021 - 07:55

Por meio de um relatório com previsão para os próximos cinco anos, divulgado na última quarta-feira, 25, a trading inglesa Czarnikow afirmou que o mercado global de açúcar pode ver um choque na oferta na safra 2022/23 (outubro a setembro), quando as exportações subsidiadas pela Índia, segundo maior exportador do adoçante no mundo, podem diminuir ou deixar de existir.

“Em quase todos os anos da última década, as usinas indianas produziram açúcar em excesso e o governo precisou subsidiar sua exportação para evitar que os estoques domésticos de açúcar se tornassem impossíveis de administrar. Mas esses subsídios e outros apoios à indústria da cana-de-açúcar foram contestados pela Organização Mundial do Comércio”, destaca a trading.

Em meio esse cenário, a Índia tem incentivado as usinas locais de cana a instalarem terminais de destilação de etanol, já que o biocombustível deve ganhar maior espaço na mistura da gasolina, passando para 10% em 2022 e 20% até 2025, segundo planos do governo, seguindo os passos do Brasil que domina a área desde os anos 1970.

Outros países ao redor do globo também discutem a inclusão do etanol na mistura da gasolina, como o Reino Unido, a Tailândia e a China.

“A Índia fornecerá cada vez menos açúcar ao mercado mundial, deixando um déficit no fornecimento que precisará ser suprido com a expansão da cana e da beterraba em outros lugares. O risco é que o novo suprimento não possa crescer com rapidez suficiente; os retornos do açúcar no mercado mundial também precisarão ser altos o suficiente para garantir o investimento em nova capacidade de produção”, pontua a trading.

Para o governo indiano, segundo a Czarnikow, uma maior mistura de etanol na gasolina traz vários benefícios, como o aumento da produção doméstica de energia, o que deve aumentar a segurança energética, a redução da conta geral de importação e a remoção do excedente de produção de açúcar.

Para demonstrar firmeza nos planos, o país até autorizou a venda de etanol puro mesmo sem ter uma frota de veículos flex ou somente do biocombustível.

“O aumento da demanda global por etanol e os preços globais da gasolina mais altos podem levar a preços mais altos do etanol em todo o mundo. Isso poderia ser positivo para os preços do açúcar porque as usinas do Centro-Sul do Brasil precisariam de melhores retornos para continuar a justificar a maximização da produção de açúcar”, disse a Czarnikow.

Para a consultoria inglesa, quedas de produção em outros lugares durante a safra 2022/23 e um aumento da demanda por açúcar podem levar a um cenário que os principais fornecedores não serão capazes de suprir. No entanto, a partir de 2023, com a chegada de uma nova safra, pode haver um equilíbrio maior.

“Mas, dada a possibilidade de perturbações climáticas nos próximos cinco anos, bem como a de mais uso de sacarose para energia, decidimos manter uma forte orientação de preços futuros”, destaca a Czarnikow.

Jhonatas Simião


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