Açucar

Acordo entre Cargill e Copersucar pode prejudicar comercializadores menores


Folha de S. Paulo - 28 mar 2014 - 09:07 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

Em um mercado altamente competitivo, disputado por grandes tradings internacionais, o diferencial da Copersucar é o acesso à matéria-prima. Ela une a produção de 47 usinas sócias e 50 usinas parceiras em um sistema integrado de logística, transporte, armazenamento e vendas.

Já o acesso aos importadores não seria tão fácil. "A minha impressão é que ela não estava conseguindo dar destino ao açúcar na mesma proporção dos volumes que conseguia na origem", afirma Gustavo Corrêa, sócio da consultoria FG/Agro.

Segundo ele, a quantidade de açúcar entregue pela Copersucar na Bolsa de Nova York chamava a atenção, o que pode sinalizar dificuldades na venda de todo o produto aos importadores.

A Cargill, por sua vez, destaca-se pela enorme capacidade logística em várias regiões do mundo. Desde que o negócio de açúcar começou a dar prejuízo à multinacional, em 2011, a companhia tirou o pé desse mercado.

O acordo, portanto, deve acelerar o processo de internacionalização da Copersucar, ao mesmo tempo em que possibilita à Cargill o retorno à posição de liderança no setor. Pela complementaridade dos negócios, analistas destacaram o alto potencial de geração de valor dessa operação para ambas.

As consequências para o resto do mercado não devem ser tão positivas, uma vez que a transação transforma duas grandes comercializadoras rivais em uma nova empresa, de porte ainda maior.

Para Julio Maria Borges, da Job Economia e Planejamento, os vendedores de açúcar -preferencialmente as usinas não associadas à Copersucar- ficarão em uma situação "mais vulnerável".

"Esse processo de concentração no setor é desvantajoso para os menores, que cada vez mais perdem poder de negociação", afirma. A tendência, diz ele, é que acordos como esse se intensifiquem em toda a cadeia.

A criação da nova joint venture entre Copersucar e Cargill, que será divida em partes iguais, precisará ser aprovada por autoridades regulatórias -a expectativa é que o processo seja finalizado no segundo semestre.

O nome da nova empresa, que terá sede em Genebra, na Suíça, será anunciado quando a transação for concluída. Os negócios de etanol e os ativos das duas empresas, como usinas e terminais, não fazem parte do acordo.

TATIANA FREITAS


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