Milho

Preço do milho tem recuos no mercado físico e na B3 nesta quinta-feira


Notícias Agrícolas - 11 jun 2021 - 07:19

Os preços do milho caíram no mercado físico brasileiro nesta quinta-feira, 10. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, não foram percebidas valorizações em nenhuma das praças.

Já as desvalorizações apareceram em Rio do Sul (SC), Rondonópolis (MT), Primavera do Leste (MT), Alto Garças (MT), Itiquira (MT), Tangará da Serra (MT), Itapetininga (SP) e Campinas (SP).

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, “os indicadores do mercado físico têm tido quedas consecutivas nos últimos dias com o dólar mais comportado e o início, mesmo que incipiente, das primeiras áreas da safrinha no país”.

A análise da Agrifatto Consultoria acrescenta que, “apesar do indicador de negócios em Campinas (SP) registrar redução dos preços da saca para o nível de R$ 96, os preços ainda não indicam redução e os negócios são tímidos na região Centro-Oeste”.

Ainda nesta quinta-feira, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou seu boletim de acompanhamento da safra brasileira de grãos para o mês de junho e trouxe dados sobre as três safras.

Para a segunda safra, a entidade reduziu a expectativa de produção brasileira das 79,8 milhões de toneladas estimadas no último relatório divulgado em maio, para 69,96 milhões de toneladas, representando redução de 6,8%, comparada a safra passada.

“A segunda safra de milho ficará substancialmente abaixo dos níveis projetados para o mês anterior em razão das condições de seca verificadas nos principais estados produtores, apontadas como o principal motivo para os cortes realizados”, diz a Conab.

B3

Os preços futuro do milho operaram com leves altas durante boa parte do dia, mas enceraram a quinta-feira caindo na bolsa brasileira B3. As principais cotações registraram movimentações negativas.

O vencimento julho de 2021 foi cotado à R$ 93,80 com queda de 0,42%; o setembro de 2021 valeu R$ 96,30 com perda de 0,47%; o novembro de 2021 foi negociado por R$ 97,45 com desvalorização de 0,54%; e o janeiro de 2022 teve valor de R$ 99,41 com baixa de 0,39%.

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, a redução de quase 10 milhões de toneladas para a safrinha feita pela Conab em seu relatório de hoje e a diminuição de volumes disponíveis para exportação tendem a manter o mercado sustentado daqui para frente.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, avaliou que as tradings podem ter pela frente um cenário desafiador quanto ao cumprimento de contratos de milho pelos produtores, em meio à quebra da segunda safra do cereal e forte alteração nos preços no Brasil.

“Os contratos passam a ser discutidos quando há uma quebra de safra relevante e podem gerar insatisfação quando você tem diferença de preço grandes. No milho temos esses dois problemas”, afirmou

Mercado externo

A Bolsa de Chicago (CBOT) registrou flutuações altistas durante toda a quinta-feira para os preços internacionais do milho futuro. As principais cotações contabilizaram movimentações positivas entre 6,25 e 8,25 pontos ao final do dia.

O vencimento julho de 2021 foi cotado à US$ 6,99 com valorização de 8,25 pontos; o setembro de 2021 valeu US$ 6,38 com elevação de 6,25 pontos; o dezembro de 2021 foi negociado por US$ 6,16 com ganho de 6,75 pontos; e o março de 2022 teve valor de US$ 6,22 com alta de 6,25 pontos.

Esses índices representaram elevações, com relação ao fechamento da última quarta-feira, de 1,3% para o julho de 2021, de 0,95% para o setembro de 2021, de 1,15% para o dezembro de 2021 e de 1,14% para o março de 2022.

Segundo informações da agência Reuters, os futuros do milho nos Estados Unidos atingiram a maior alta em um mês na quinta-feira, depois que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou uma demanda mais forte dos fabricantes e exportadores de etanol antes da próxima safra.

A reportagem destaca que as tradings de grãos estão voltando seu foco para o clima de desenvolvimento da safra de milho e soja no Meio-Oeste dos EUA e as condições do milho no final da temporada no Brasil atingido pela seca, uma vez que o fornecimento global de grãos para ração está diminuindo.

Além disso, o USDA está projetando que o fornecimento de milho dos EUA diminuirá para o nível mais apertado em oito anos devido à crescente demanda dos setores de etanol e exportação. A agência também reduziu drasticamente as perspectivas para a safra de milho no Brasil.

“Minha maior conclusão é que temos a confirmação de um abastecimento sul-americano muito mais apertado e, portanto, um abastecimento global para os próximos seis meses no milho”, disse o presidente da Global Commodity Analytics, Mike Zuzolo.

Guilherme Dorigatti

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