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Resultados Financeiros das Usinas de Cana-de-Açúcar — Panorama do Setor

Atualizado em 2026-03-24

O setor sucroenergético brasileiro vive um momento de forte contraste financeiro em 2025/26. A Raízen, maior grupo do setor, entrou em recuperação extrajudicial com dívida de R$ 55,3 bilhões e prejuízo de R$ 15,6 bilhões em três trimestres, arrastando a Cosan (prejuízo de R$ 5,8 bilhões no 4T25). A crise foi causada por endividamento em projetos de transição energética e eventos climáticos severos. Em contraste, o São Martinho mantém resultados sólidos com eficiência operacional. Das 20 maiores usinas, apenas 9 tiveram lucro positivo, refletindo a pressão de custos elevados e a queda na produtividade da safra 2025/26.

Ranking

# Nome Detalhe
1 Raízen (RAIZ4) Prejuízo de R$ 15,6 bilhões (3 trimestres). Recuperação extrajudicial. Dívida líquida R$ 55,3 bi. Alavancagem 5,3x. Saiu do Ibovespa
2 Cosan (CSAN3) Prejuízo de R$ 5,8 bilhões no 4T25, impactada pela Raízen. Desconto de holding de 55%. IPO da Compass e follow-on da Rumo em planejamento
3 São Martinho (SMTO3) Resultados sólidos. 21,7 Mt moídas. Primeira usina com certificação ISCC CORSIA Low LUC Risk
4 Atvos 25,8 Mt moídas, terceiro maior grupo. Reestruturação concluída, foco em eficiência
5 Coruripe Prejuízo de R$ 150,5 milhões no acumulado da safra 2025/26 (abr-out). Volume de cana recuou 7,7%

Comparativo

EmpresaResultado recenteMoagemSituação
RaízenPrejuízo R$ 15,6 bi (3T)78,3 MtRecuperação extrajudicial
CosanPrejuízo R$ 5,8 bi (4T25)Via RaízenRenegociação com Shell, IPO Compass
São MartinhoLucro operacional sólido21,7 MtEstável, certificações internacionais
CoruripePrejuízo R$ 150,5 mi11,6 Mt (-7,7%)Queda no ATR e volume
Usina EsterLucro R$ 302,3 miMenor porteReestruturação bem-sucedida

Como funciona

  1. A safra fiscal das usinas geralmente vai de abril a março — os resultados são reportados por trimestre fiscal, não por ano-calendário
  2. Os principais indicadores financeiros são: EBITDA, alavancagem (dívida líquida/EBITDA), margem operacional e custo caixa por tonelada de cana
  3. A crise da Raízen (maior grupo) impacta todo o setor: fornecedores de cana, credores, e a percepção de risco do mercado sucroenergético
  4. Das 20 maiores usinas, apenas 9 tiveram lucro positivo na safra 2024/25, refletindo custos elevados de insumos e eventos climáticos adversos
  5. O setor está em transição: usinas diversificam receita com bioeletricidade, CBIOs (RenovaBio) e etanol de milho para reduzir dependência do mix açúcar/etanol

Perguntas Frequentes

O que aconteceu com a Raízen em 2026?

A Raízen entrou em recuperação extrajudicial em março de 2026 — a maior do Brasil — com dívida líquida de R$ 55,3 bilhões e prejuízo de R$ 15,6 bilhões em três trimestres. A crise foi causada por endividamento excessivo em projetos de transição energética (E2G, bioenergia), retornos mais lentos que o esperado, e eventos climáticos severos que reduziram a moagem. A empresa saiu do Ibovespa e teve o rating rebaixado pela Moody's.

A crise da Raízen afeta todo o setor?

Sim. A Raízen é o maior grupo com 12,6% da moagem nacional. A recuperação extrajudicial impacta fornecedores de cana (que podem ter pagamentos atrasados), credores, e a percepção geral de risco do setor sucroenergético no mercado financeiro. O BNDES, Shell, Cosan e BTG negociam soluções.

Quantas usinas tiveram lucro na última safra?

Das 20 maiores usinas de cana, apenas 9 tiveram lucro positivo na safra 2024/25. Os resultados foram pressionados por custos elevados de insumos (fertilizantes, defensivos, combustíveis) e pela queda de produtividade causada por eventos climáticos severos no Centro-Sul.

Quais usinas estão em boa situação financeira?

O São Martinho (SMTO3) se destaca com resultados operacionais sólidos e eficiência acima da média. A Usina Ester reportou lucro de R$ 302,3 milhões após processo de reestruturação. Em geral, usinas menores e bem gerenciadas têm se saído melhor que os grandes grupos alavancados.

Qual a perspectiva financeira do setor para 2026/27?

A expectativa é de melhora parcial com a recuperação da moagem (+3,4%) e produção recorde de etanol. Porém, a resolução da crise da Raízen e os custos de insumos seguem como fatores de risco. Analistas do JPMorgan consideram Cosan e Raízen 'frias' para 2026, enquanto São Martinho é vista como a aposta mais segura no setor.

Fontes

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