Cogeração de Energia com Bagaço de Cana-de-Açúcar
Atualizado em 2026-03-24
A bioeletricidade gerada a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar é uma das maiores fontes renováveis de energia do Brasil. Em 2024, forneceu 21.218 GWh à rede elétrica — equivalente ao consumo de 10,8 milhões de residências — representando 75% de toda a bioeletricidade do país. A geração cresceu 14% em 2023 e concentra-se no período seco (maio a novembro), complementando a energia hidrelétrica quando os reservatórios estão baixos. O setor atingiu 14.100 MW de potência instalada e tem potencial para triplicar com maior aproveitamento da palha da cana.
Ranking
| # | Nome | Detalhe |
|---|---|---|
| 1 | Raízen | Maior geradora de bioeletricidade do setor, com cogeração em mais de 35 usinas (em recuperação extrajudicial) |
| 2 | BP Bunge Bioenergia | Cogeração em 11 unidades, forte presença em leilões de energia |
| 3 | São Martinho | Alta eficiência em cogeração, exportadora de energia excedente em todas as unidades |
| 4 | Atvos (ex-Odebrecht Agroindustrial) | Parque de cogeração significativo após reestruturação |
| 5 | Jalles Machado | Pioneira em eficiência energética e cogeração em Goiás |
Comparativo
| Aspecto | Bioeletricidade (Cana) | Eólica | Solar |
|---|---|---|---|
| Participação na matriz (2025) | ~5% | ~13% | ~7% |
| Geração complementar | Sim — gera no período seco (quando reservatórios baixam) | Depende do vento | Depende do sol |
| Previsibilidade | Alta (safra conhecida) | Média (sazonalidade) | Média (sazonalidade) |
| Investimento necessário | Baixo (infraestrutura já existe nas usinas) | Alto (novos parques) | Alto (novos parques) |
| Emissões | Carbono neutro (ciclo da biomassa) | Zero | Zero |
| Potencial de crescimento | 3x (com palha e eficiência) | Grande | Grande |
Como funciona
- A cogeração funciona em ciclo: a usina moí a cana, extrai o caldo (para etanol/açúcar) e queima o bagaço em caldeiras para gerar vapor e eletricidade
- A bioeletricidade da cana é complementar à hidrelétrica — gera mais energia no período seco (safra abr-nov), quando os reservatórios estão baixos
- Além do bagaço, a palha da cana pode ser usada como combustível, mas ainda é pouco aproveitada — representa o maior potencial de crescimento
- Usinas participam de leilões de energia da CCEE para vender eletricidade excedente à rede, gerando receita adicional
- Em março de 2026, o Brasil contratou 501,3 MW em leilão de capacidade, com participação de usinas de biomassa
Perguntas Frequentes
O que é cogeração de energia com bagaço de cana?
É o processo de geração simultânea de calor e eletricidade a partir da queima do bagaço de cana-de-açúcar em caldeiras. O vapor produzido movimenta turbinas que geram energia elétrica, tanto para consumo da própria usina quanto para venda à rede elétrica.
Quanto de energia o Brasil gera com bagaço de cana?
Em 2024, a bioeletricidade da cana forneceu 21.218 GWh à rede, equivalente ao consumo de 10,8 milhões de residências. Representa 75% de toda a bioeletricidade do país e cerca de 4-5% da matriz elétrica nacional. O setor atingiu 14.100 MW de potência instalada, com potencial para triplicar com o aproveitamento da palha.
A cogeração com bagaço é renovável?
Sim. A cogeração com biomassa de cana é considerada carbono neutro, pois o CO2 liberado na queima do bagaço é reabsorvido pela cana durante seu crescimento. É uma fonte de energia renovável e sustentável.
Por que a bioeletricidade da cana é importante para a rede elétrica?
Porque gera energia no período seco (abril a novembro), quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos. Isso complementa a geração hidrelétrica e reduz o risco de apagões. Em março de 2026, o Brasil realizou leilões de capacidade de energia com participação de usinas de biomassa.
Qual a relação entre cogeração e etanol de milho?
O processamento de 5 toneladas de cana gera energia excedente suficiente para processar 1 tonelada de milho. Isso torna as usinas flex (cana + milho) especialmente eficientes, usando a bioeletricidade da cana para alimentar a produção de etanol de milho.