Cana-de-Açúcar

Volume de cana bisada pode tirar preço do açúcar e ajudará antecipar reposição do etanol

Análise da Safras & Mercado é de que vai ter volume considerável de cana que foi deixada para ser cortada o ano que vem no Centro-Sul


Money Times - 17 dez 2019 - 09:14

Os modelos climáticos estão revelando chuvas regulares do Norte do Paraná ao Norte de São Paulo para a semana que vem e a Safras & Mercado (S&M) se debruçou sobre eles traçando um cenário possível para cana. A análise final é a de que vai ter volume considerável de cana que foi deixada para ser cortada o ano que vem no Centro-Sul.

Essa cana “bisada”, como é classificada no jargão do setor, estaria sendo acumulada, portanto, em oito semanas de precipitações, se forem certas as previsões até a próxima.

As avaliações de Maurício Muruci, da consultoria, são de 16 milhões a 18 milhões de toneladas que serão carregadas para o ciclo 2020/21, ainda que possam, em alguma fração, começarem a ser processadas no fim de fevereiro, o que oficialmente ainda estaria na safra 2019/20 (vai até março). O setor já adotou o termo ‘antecipação de safra’.

Esse ponto, ainda de acordo com o analista, poderá ser precificado por Nova York, no mercado futuro da ICE Futures, tirando suportes das altas que vieram satisfatórias até a semana passada, em quase 40 dias. De 12,50 cents de dólar por libra peso para a faixa de 13,50 c/lp.

Ontem (16), às 14h30 de Brasília, o contrato março cai em torno de 1,5%, estando em 13,20 c/lp.

A produção de 2020 que terá parte da cana de 2019 também será importante para as usinas que pararam mais cedo e estão zeradas de etanol na entressafra, que deve seguir com competitividade. Murici lembra, porém, que vai chegar maior volume de etanol dos Estados Unidos, com a elevação da cota sem taxas para 1,5 bilhão de litros.

A safra 2019/20 do Centro Sul, já praticamente sem usinas operando, teve morte prematura, mesmo. Desde final de outubro várias usinas não tinham mais cana ou estavam com talhões pouco desenvolvidos pela seca. Esta também acelerou a moagem, além da própria demanda forte para o mix de etanol.

E Maurício Murici, que acredita em 600 milhões de toneladas ao final oficial da temporada – a Unica, associação das indústrias registrou 575 milhões/t ao final do mês anterior –, explica também que a possibilidade de menos chuvas em janeiro e fevereiro, dará condições ideais para essa cana bisada.

Somada à boa umidade de quase dois meses, acelerando a sua maturação, mais a luminosidade dos dois meses seguintes, cana em quantidade e com bom rendimento chegará às usinas.

Para a safra 2020/21, a S&M estima entre 608 milhões e 609 milhões de toneladas.

Giovanni Lorenzon

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