Usina Jacarezinho faz 70 anos

Uma das principais geradoras de emprego, renda e impostos, impulsiona a economia da região, movimenta os demais setores e gera qualidade de vida

Fundada há 70 anos, em 1946, a Usina Jacarezinho, localizada no município com o mesmo nome no Norte do Paraná, se tornou uma das principais geradoras de emprego, renda e impostos no município. É a usina que impulsiona a economia local e regional, movimentando os demais setores e promovendo melhora de qualidade de vida à comunidade. Em média são gerados 1.350 empregos diretos e 450 indiretos.

Posteriormente foi criada a empresa Companhia Canavieira de Jacarezinho, que é responsável pelo fornecimento de cana-de-açúcar para a usina. Mas a indústria só entrou em funcionamento em 1949, tempo necessário para a construção da estrutura e plantio da matéria-prima.

Mais recentemente, em 2011, foi criado o Grupo Maringá, surgido  da cisão da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, que acolheu ambas as empresas. Além da Usina e da Canavieira, o grupo é composto pela Maringá Ferro-Liga S/A, fabricante de liga de manganês, matéria prima utilizada preponderantemente no setor siderúrgico.

A capacidade atual de moagem da Usina Jacarezinho é de 2,5 milhões de toneladas de cana, que corresponde a uma moagem diária de 14,5 mil toneladas e produção de 22 mil sacas de açúcar e 500 mil litros de etanol.

A safra 2016/17 foi finalizada com 2,41milhões de toneladas de cana moída, sendo produzidas 3,3 milhões de sacos de açúcar e 80 milhões de litros de etanol anidro e hidratado. Para a safra 2017/18 a usina está trabalhando com números bem próximos ao desta safra.

A comercialização do açúcar e do etanol nos mercados interno e externo é efetuada pela Copersucar, Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo, da qual a usina é cooperada desde 1968.

Melhorias são contínuas

Segundo Eduardo Lambiasi, Diretor Corporativo, o Grupo elegeu como prioridade estratégica a melhoria da eficiência de suas operações, dos processos e da Governança Corporativa. Constituiu-se um Conselho de Administração na Holding, cuja composição conta com os acionistas controladores e com 2 membros externos. Um desses membros externos construiu sua trajetória profissional na área de Recursos Humanos. O mesmo tem liderado as ações visando impulsionar as ações de Recursos Humanos nas empresas do Grupo. O Departamento de RH foi reestruturado, aprimorando todas ações relacionadas a treinamento e gestão de pessoas. “É impressionante como as ações relacionadas ao desenvolvimento de pessoas, como plano de desenvolvimento e treinamento, adoção de uma política estruturada de remuneração, de cultivo de um bom clima organizacional, resultam na melhoria de todos os processos da empresa”, destaca o Gerente de Recursos Humanos, Rogério Braga.

“Nesse tipo de negócio, o fator treinamento, integração entre as áreas e sincronismo na operação, fazem toda a diferença”, ressalta o diretor de operações Condurme Aizzo.

Em relação à Usina e Canavieira, como ressaltado, o investimento dos últimos 5 anos tem sido direcionado a melhoria do parque industrial, na estrutura de CCT e na renovação do canavial. No parque industrial destacamos a aquisição de pré-evaporador, centrífugas de açúcar, filtros de torta e de xarope, sistemas de acionamento de moenda, mesa de recepção de cana picada, automatização dos principais equipamentos, sempre visando atribuir maior robustez, confiabilidade e eficiência na produção, seja na conversão de produto, como no consumo de vapor. Como consequência desses investimentos, a empresa pode aumentar em aproximadamente 50% sua produção em comparação a safra de 2011/12, momento em que o Grupo Maringá assumiu os negócios.

Conforme descrito acima, o desgargalamento das operações também tem sido um elemento importante no processo de melhoria da eficiência da empresa, que melhorou a escala sem a necessidade de grandes investimentos.

Um outro foco do Grupo foi o de diversificar as fontes de receita, incorporando em seu portfólio os produtos Etanol Anidro, mediante aquisição de uma peneira molecular em 2015 e o Açúcar Branco, através da compra de uma unidade de sulfitação, prevista para entrar em operação em 2017.

O Grupo analisa ainda a viabilidade de projetos que visam atribuir maior valor agregado ao excedente de bagaço, algo em torno de 120 mil tons ano. As possibilidades que são cogitadas são a cogeração, biogás ou até mesmo a peletização. É fundamental acompanharmos o desenvolvimento de novas tecnologias, seja na indústria ou no campo, enfatiza Eduardo Lambiasi, Diretor Corporativo.

Moagem de 2,41milhões de toneladas de cana e produção de 80 milhões de litros de etanol e 3,3 milhões de sacos de açúcarMoagem de 2,41milhões de toneladas de cana e produção de 80 milhões de litros de etanol e 3,3 milhões de sacos de açúcar

Investimentos no campo

Visando melhorar o aproveitamento da capacidade industrial, a usina implantou o setor de qualidade agrícola em 2015

As renovações das lavouras de cana-de-açúcar têm sido realizadas dentro do percentual ideal na Usina Jacarezinho, de forma a obter uma idade e produtividade adequadas, dentro de um equilíbrio de custo e resultados.

Segundo o gerente Agrícola, Valter Sticanella, dos 28,6 mil hectares cultivados na área da usina, nos municípios de Jacarezinho, Cambará, Santo Antônio da Platina, Ourinhos, Salto Grande, Ibirarema, Palmital e outros, a Companhia Canavieira de Jacarezinho é responsável pela produção e fornecimento de aproximadamente 50% da matéria-prima, plantando 13 mil hectares.

A busca constante por novas formas de gestão do trabalho e a adoção de novas tecnologias resultaram na implantação do sistema de piloto automático, que monitora o canavial com exatidão e reduz os erros na colheita mecanizada, que já atinge 90% da área total. Também, o plantio mecanizado já chega a 90% nas áreas próprias e arrendadas e estão sendo adquiridos três colhedoras, quatro tratores, oito caminhões, seis transbordos e 10 carretas canavieiras para a próxima safra.

Visando melhorar o aproveitamento da capacidade industrial, a Usina Jacarezinho implantou o setor de qualidade agrícola em 2015. Medindo diariamente as perdas, pisoteio e outros índices, buscou sincronizar os dois setores e atender aos requisitos de qualidade do canavial de um modo geral.

Sticanella ressalta ainda o cuidado com a escolha de variedades, buscando sempre materiais cada vez mais produtivos, através de convênios com a Ridesa, CTC e IAC. Todas as áreas próprias já possuem a carta de solo que visa a locação da variedade pelo ambiente de produção, além de determinar todo manejo, as operações agrícolas e fertilização. “Incentivamos ainda nossos fornecedores a desenvolver o plantio de cana através de fomento e variedades de alto rendimento”, finaliza.

Renovação dos canaviais segue ritmo normalRenovação canaviais

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Inclusão e oportunidades

Em defesa dos direitos das pessoas com deficiência, a usina mantém há dez anos o projeto de inclusão social que, além de gerar emprego, proporciona conhecimentos e habilidades especificamente associados à ocupação, com formação profissional e qualificação para o trabalho.

Há quatro anos, também firmou um convênio com as Apaes de Jacarezinho, Santo Antônio da Platina, Cambará e Chavantes, promovendo diversas ações com o propósito de oferecer um trabalho a essas pessoas e proporcionar o direito ao exercício da cidadania. Além disso, de maneira criativa, a empresa cumpre, desde 2006, com os requisitos definidos na legislação, segundo Cláudia de Oliveira Calegari, supervisora de Recursos Humanos.

“Com essa parceria com as APAEs, criando ocupações destinadas especificamente às pessoas com deficiência, que não teriam acesso aos empregos comuns, oferecemos à comunidade algo que de fato assegura a essas pessoas o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive os direitos à educação, saúde, trabalho, lazer, bem estar pessoal, social e econômico”, afirma Cláudia.

A iniciativa ainda oferece a esses colaboradores a formação de hábitos e atitudes de trabalho, como pontualidade, respeito, segurança, responsabilidade, condutas socialmente aceitas, sendo esses comportamentos desenvolvidos no dia a dia de trabalho.

“Dessa maneira, a pessoa enfrenta melhor as necessidades da vida e do mercado de trabalho, desenvolvendo a autoconfiança e realização pessoal formada no conhecimento da realidade, valores e expressões culturais. O ser humano se realiza plenamente quando se torna produtivo no contexto em que vive”, diz Cláudia.

Todas as hortaliças e legumes produzidos pelos colaboradores são vendidos nas cidades e os valores resultantes revertidos para a manutenção do projeto, reposição de insumos e ferramentas utilizados: arames, sementes, catracas para arame liso, sombrites para horta, regadores e outros. Na maioria das cidades, as atividades são autossustentáveis.

“O objetivo fundamental alcançado por esse projeto é o de priorizar a inclusão social, ampliando as oportunidades de trabalho para as pessoas com deficiência e proporcionando a elas o acesso ao trabalho, à renda, desenvolvimento profissional e conscientização da sociedade”, ressalta.

Atualmente, a empresa conta com 54 pessoas com deficiência, sendo que 18 fazem parte do convênio firmado junto às APAEs da região. Considerando familiares diretos, são beneficiados aproximadamente 120 pessoas. “Mais importante do que a quantidade atingida é o fato que as pessoas beneficiadas estão dentre as mais fragilizadas e menos favorecidas na sociedade brasileira, daí os bons resultados e o reconhecimento obtido”, comenta a supervisora. Em 2013, a Câmara Municipal de Chavantes registrou uma “Moção de Agradecimentos” pelo projeto e em 2014, a usina recebeu o prêmio Master Cana Social.

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Da esquerda para direita: José Carlos Fagnani, gerente Administrativo Financeiro, Cláudia de Oliveira Calegari, supervisora de Recursos Humanos e Rogério Procópio Jardim Gomes Braga, gerente Corporativo de Recursos Humanos; e recebendo o Prêmio Master Cana Social 20144

Meio ambiente preservado

Entre as práticas adotadas estão o uso responsável dos recursos naturais, valorização das melhores práticas agrícolas, industriais e trabalhistas

A Usina Jacarezinho está inserida no modelo de gestão de sustentabilidade da Copersucar. Isso tem possibilitado atender prontamente às exigentes cláusulas e padrões do mercado global, com produtos de alta qualidade e ecologicamente sustentáveis. Entre as práticas da usina estão ações relacionadas à sustentabilidade, com o uso responsável dos recursos naturais, valorização das melhores práticas agrícolas, industriais e trabalhistas na produção.

A usina atende aos padrões norte-americanos e japoneses para exportar o etanol (EPA- Environment Protection Agency) e está em fase de certificação do CARB (California Air Resources Board). Também concluiu em 2016 o registro de todas suas áreas no CAR (Cadastro Ambiental Rural) e está atendendo as exigências do Código Florestal.

Dentro do projeto de florestamento, a usina plantou aproximadamente 250 mil mudas de espécies nativas da região, formando 108 hectares de matas. E visando a inclusão da comunidade, desenvolve trabalhos de conscientização e respeito ao meio ambiente com alunos de escolas da rede pública.

Desde 2014, toda cana-de-açúcar colhida no estado de São Paulo é feita de forma totalmente mecanizada e crua. E no Paraná, a usina vem reduzindo a queima de cana em percentual acima do exigido pela lei, sendo que na safra 2016/17 já colheu mecanicamente em torno de 90% do total.

“Estamos ainda investindo em melhorias na estrutura de combate a incêndios com novos caminhões, equipamentos, inspetoria territorial e treinamentos”, afirma a gerente da Qualidade/Segurança, Márcia Raquel Câmara Gusi.

Nas frentes de trabalho no campo são utilizados ônibus equipados com áreas de vivência, sanitários, água potável refrigerada, mesas e banquetas para refeições, e nas áreas mecanizadas, carretas transformadas em áreas de vivência, acrescenta.

Sustentabilidade como princípio

Dentro da política da qualidade e sustentabilidade econômica, social e ambiental, todas as empresas do Grupo Maringá são certificadas pela ISO 9001/2008 e auditadas pela KPMG. Para a gestão estratégica da empresa, e uma visão integrada de todos os processos, são utilizadas algumas metodologias: BSC (Balanced Score Card), Programa 5’S e Auditorias (Segurança do Trabalho, NBR 17.505, ISO 17025 , Copersucar, Assessorias Técnicas). E na busca por melhoria contínua, está em fase de implantação a NBR ISO 22000, Bonsucro e OHSAS 18001.

Segundo o gerente Administrativo/Financeiro, José Carlos Fagnani, a empresa prima pela satisfação de seus clientes, fornecendo produtos de qualidade, a custos competitivos, com segurança total, qualidade de vida aos colaboradores e respeito ao meio ambiente.

Para garantir que os trabalhadores diretos e indiretos tenham qualidade de vida no trabalho, a Usina Jacarezinho adotou uma Política de Qualidade e Segurança do Trabalho Integrada. Para isso, implantou os Serviços Especializados em Segurança e Saúde do Trabalhador (SESTR), destinados ao desenvolvimento de ações técnicas, integradas às práticas de gestão de segurança, saúde e meio ambiente do trabalho.

A equipe multiprofissional do SESTR é integrada por médico, enfermeiro, engenheiro de segurança, técnico de segurança e em enfermagem, fisioterapeuta, dentista, professor de educação física e analista de meio ambiente.

Destacam-se os trabalhos desenvolvidos com a CIPA/CIPATR, Brigada de Emergência, OPI (Observação para Prevenção de Incidentes), Diálogos de Segurança e Campanhas de Prevenção: Cuidados com as Mãos, Direção Defensiva, Outubro Rosa, Novembro Azul, Vacinação H1N1, Hipertensão, Diabetes e Doenças DST. Também é realizada a Semana Interna de Prevenção de Acidentes, orientando os colaboradores e terceiros quanto à segurança no trabalho e saúde.

De olho no futuro, usina investe em seu pessoal

Cursos e treinamentos garantiram um salto em qualidade quanto ao rendimento do trabalho e na qualidade de vida do colaborador

Consciente da necessidade de preparar e investir em seu quadro pessoal, no período de 2011 a 2015, a Usina Jacarezinho ofereceu mais de 179,5 mil horas de cursos e treinamentos de capacitação a seus colaboradores. Isso garantiu um salto em qualidade quanto ao rendimento do trabalho e na qualidade de vida do colaborador.

Segundo Condurme Aizzo, Diretor de Operações da Usina, em tempos difíceis na economia, a empresa identificou a necessidade de qualificar ainda mais seu capital humano, com foco no desenvolvimento, iniciando pelo fortalecimento das políticas de recursos humanos. “Olhamos para a crise como um momento de mudança, onde fica evidente a necessidade de preparar e capacitar a mão de obra”, afirma.

Com foco nas lideranças, a empresa investiu em treinamentos e coaching. “Apesar de contarmos com um time excelente, todos aderiram à ideia para continuar inovando, o que resultou em um novo recorde de produção e diversificação dos produtos da empresa”, finaliza Aizzo.

Desde 2014, o setor de recursos humanos desenvolve a Política de Gestão de Desempenho e de Treinamento e Desenvolvimento, com o objetivo de valorizar os colaboradores, fazer a gestão de talentos e manter na empresa a mão de obra capacitada, afirma Rogério Procópio Jardim Braga, gerente Corporativo de Recursos Humanos.

Os colaboradores têm seu desempenho avaliado periodicamente e com base nos resultados, é estabelecido um plano de desenvolvimento individual, que serve como matéria-prima para a gestão de talentos e para determinar as ações de treinamento e desenvolvimento.

O Grupo Maringá fornece ajuda de custo ou bolsas de estudo para eventos e treinamentos visando o cumprimento das funções atuais do colaborador ou futuras atividades e projetos ligados ao negócio. “Temos excelentes índices de aproveitamento interno. Nos últimos três anos, 31,53% do efetivo foram promovidos e houve uma redução das demissões por iniciativa do empregado de 4,37%, em 2014, para 2,08%, até setembro 2016”, cita Braga.

Programa de excelência

Em 2016 foi criado um programa de excelência dentro do Grupo Maringá, capacitando 81 colaboradores, sendo que 37 são da Usina Jacarezinho. O trabalho foi conduzido por um comitê composto pelas áreas de Controladoria, RH, Qualidade e Gerentes Administrativos, que buscaram direcionar multiplicadores para que usem as técnicas, conceitos e suporte do programa como meio para atingirem os objetivos de suas atividades, sem desviar de suas funções básicas.

“A experiência foi muito produtiva e serviu como um veículo motivacional. Houve uma maior identificação entre os membros da equipe e pode se estabelecer uma parceria de trabalho, uma troca de posições e lugares, trazendo como resultado uma melhor integração”, afirma Adriano Bertoldo, Gerente Corporativo de Controladoria.

Segundo Rogério Procópio Gomes Braga, Gerente Corporativo de Recursos Humanos, outra oportunidade de desenvolvimento na empresa foi a pesquisa de engajamento do Grupo Maringá, ocorrida em outubro, com 80% dos colaboradores. O objetivo foi atrelar o desempenho das pessoas na organização ao negócio da empresa.

“A pesquisa foi elaborada através do conceito de ‘engajamento’, avaliando o quanto as pessoas querem e de fato agem para contribuir para o sucesso da organização”, afirma esclarecendo que “engajamento é o nível de comprometimento emocional e intelectual de um indivíduo, que resulta em um comportamento direcionado para resultados”.

A pesquisa foi pautada em três pontos: 1) o quanto as pessoas falam positivamente sobre a organização para os colegas de trabalho, potenciais colaboradores e clientes; 2) o quanto as pessoas têm um intenso desejo de fazer parte como membro da organização; e 3) o quanto as pessoas mostram esforço extra e engajamento nas atitudes, contribuindo para o sucesso do negócio.

Pesquisa sobre engajamento da equipe avaliou o comprometimento de todos10

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