Renuka do Brasil acelera devolução de terras e demite 900, dizem fontes

A Renuka do Brasil, grupo sucroenergético em recuperação judicial, está acelerando a devolução de áreas arrendadas para plantio de cana e demitiu, só neste mês, cerca de 900 funcionários de suas duas unidades no interior de São Paulo, disseram à Reuters três fontes com conhecimento do assunto.

Tais medidas ocorrem após a companhia, com dívidas de quase 3 bilhões de reais, não conseguir leiloar a usina Revati, em Brejo Alegre, no início de setembro, dado o pedido de suspensão do certame pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Conforme uma das fontes, nos últimos dias foram realizadas demissões tanto na Revati quanto na usina Madhu, em Promissão, “envolvendo todas as áreas”.

Em paralelo, a Renuka do Brasil, subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, passou a devolver áreas arrendadas com cana, uma vez que a safra deste ano se aproxima do fim.

Segundo uma das fontes, a companhia, que chegou a trabalhar com quase 100 mil hectares de cana no passado, hoje tem em torno de 30 mil hectares arrendados.

“Estão acelerando a devolução porque não têm como pagar o arrendamento. Alguns casos vão parar na Justiça”, destacou a fonte, acrescentando que neste ano a empresa deve processar cerca de 4,5 milhões de toneladas de cana, menos da metade da capacidade instalada nas duas unidades, de mais de 10 milhões de toneladas por ciclo.

A Reuters tentou contato com a empresa para comentar o assunto, mas não obteve uma resposta.

A Renuka do Brasil iniciou investimentos no país em 2010 e foi atingida juntamente com o restante do setor por baixos preços do açúcar e pelo controle de preços de combustíveis que vigorou em governos anteriores.

O processo de recuperação judicial da empresa começou há dois anos.

No início de 2017, a companhia tentou leiloar a usina Madhu, mas o BNDES pediu a suspensão do certame, algo que voltou a ocorrer em setembro, com a Revati, já que o banco é titular de garantias hipotecárias.

De acordo com uma das fontes, desde a suspensão do leilão de setembro, as negociações entre Renuka do Brasil e credores continuam “sem novidades”.

José Roberto Gomes

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