Raízen e São Martinho arrendam canaviais da Usina Furlan por R$ 180 milhões

A moagem de 1 milhão de toneladas de cana-de-açúcar da Usina Furlan, em Santa Bárbara d'Oeste (SP), ficará a cargo da Raízen Energia e da São Martinho. O arrendamento de 7 mil hectares de canaviais, segundo o jornal Valor Econômico, se deu por meio de um acordo de R$ 180 milhões.

Conforme a reportagem, o contrato – com validade de 20 anos – envolve áreas próprias da Usina Furlan e, também, um grupo de fornecedores. A Raízen Energia, que tem quatro usinas nas proximidades, deve ficar com dois terços da cana. O restante será destinado para a São Martinho, com uma unidade na região.

No entanto, a negociação ainda precisa ser aprovada pelos acionistas do grupo Furlan. A perspectiva é que o assunto seja decidido na próxima quarta-feira (20), em assembleia extraordinária.

Futuro da Usina Furlan

Ainda segundo o Valor Econômico, o contrato contempla a possibilidade de venda da Usina Santa Bárbara. Contudo, o plano do grupo Furlan seria desativar a unidade e permanecer operando apenas com a Usina Avaré, localizada no município paulista de mesmo nome.

Também estaria sendo considerado o transporte de alguns equipamentos de Santa Bárbara d'Oeste para Avaré – uma distância de cerca de 200 km. Essa transferência, somada a eventuais aportes, pode ampliar a capacidade de moagem da unidade de 1,4 milhão para 2,5 milhões de toneladas de cana por safra.

A venda da área fortalece o grupo Furlan financeiramente. A concentração da moagem em Avaré, se aprovada, diluirá os custos fixos, enquanto a venda dos canaviais elevará o caixa.

Além disso, os R$ 180 milhões que a companhia deve levantar com o arrendamento superam a dívida líquida que grupo detinha no fim da safra 2016/17, de R$ 178,9 milhões. De acordo com a reportagem, o número também equivale a mais da metade do faturamento do grupo na temporada, que foi de R$ 362,4 milhões.

Os resultados da Usina Furlan referentes a safra 2017/18 ainda não foram divulgados.

Procurado pelo Valor, o vice-presidente do conselho da companhia, Estevam Furlan, disse que não poderia confirmar as informações. Ele ainda afirmou que a região de Santa Bárbara D'Oeste sofre com a restrição de áreas agrícolas por causa da expansão urbana, mas garantiu que a usina localizada no município está pronta para começar a processar a cana desta safra, que começou oficialmente em abril.

Falta de cana-de-açúcar

O fato da Raízen estar buscando por mais matéria-prima não surpreende o setor. Em novembro de 2017, a companhia anunciou a paralisação de duas de suas usinas em São Paulo – Dois Córregos, em Dois Córregos, e Tamoio, em Araraquara – alegando escassez de cana-de-açúcar.

Agora, com o arrendamento, tanto Raízen quanto São Martinho devem elevar a moagem de suas unidades da região já nesta safra, além de garantirem matéria-prima para aumentar o processamento nas próximas temporadas.

Um dos motivos pela falta de cana-de-açúcar em São Paulo – maior estado canavieiro do Brasil – envolve problemas climáticos no ano passado, que afetaram o rebrotamento da cana. Além disso, no início de 2018, o estado enfrentou três meses de seca, o que ainda pode comprometer a produtividade de 2017/18.

Procuradas pelo Valor Econômico, a Raízen Energia e a São Martinho preferiram não comentar a negociação.

novaCana.com
Com informações do Valor Econômico

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