Raízen paralisa duas usinas de SP por dois anos diante de escassez de cana

A Raízen, maior grupo sucroenergético do mundo, decidiu suspender as atividades industriais de duas usinas no interior de São Paulo, por um período inicial de dois anos, dada a falta de matéria-prima para processamento, informou a companhia nesta terça-feira.

Não é a primeira vez que a empresa, uma joint venture entre Cosan e Shell, toma esse tipo de decisão.

Entre 2015 e 2017, por exemplo, a usina Bom Retiro, em Capivari (SP), ficou “hibernada” também em razão da pouca oferta de cana. A unidade só voltou a operar na atual safra 2017/18.

Agora, a suspensão atinge as unidades Dois Córregos, em Dois Córregos (SP), e Tamoio, em Araraquara (SP).

“A paralisação se dará devido a um cenário de menor disponibilidade de cana-de-açúcar nestas regiões e otimização logística e de produção da Raízen”, afirmou a companhia em comunicado.

O centro-sul do Brasil, maior produtor global de açúcar e etanol de cana, deve fechar a safra 2017/18 com uma quebra devido a problemas climáticos. E a próxima temporada deverá ser ainda menor, na avaliação de algumas consultorias, como a Datagro.

A escassez de cana tem afetado também outros grupos.

Na semana passada, a Biosev, segunda maior processadora de cana do mundo, informou a suspensão das operações na usina de Maracaju, em Mato Grosso do Sul, para reduzir custos.

A informação sobre a suspensão das atividades nas duas unidades da Raízen foi divulgada um dia após executivos da empresa detalharem os planos de integração das duas usinas da Tonon Bioenergia, adquiridas em junho, à operação total da companhia.

Em teleconferência, o diretor de Relações com Investidores da Cosan, Guilherme Machado, disse que esse processo, envolvendo as unidades de Santa Cândida e Paraíso, compradas por 823 milhões de reais, deve ocorrer ao longo da safra 2018/19, que se inicia em abril.

Conforme a Raízen, a cana destinada às unidades Dois Córregos e Tamoio será redirecionada a outras unidades da empresa, “não havendo redução da moagem total do grupo”, prevista para a safra atual em até 63 milhões de toneladas.

“A operação agrícola própria e dos fornecedores de cana da Raízen não será impactada”, frisou a empresa, que não divulga a capacidade instalada por unidade.

No terceiro trimestre deste ano, equivalente ao segundo da safra 2017/18, a Raízen acelerou a moagem de cana, atingindo 28 milhões de toneladas. O lucro antes de juros, impostos, depreciação a amortização (Ebitda) ajustado foi de 1,4 bilhão de reais para o período, alta de 50 por cento na comparação anual.

José Roberto Gomes

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