Raízen negocia compra da Usina Rio Pardo, do grupo Zogbi, diz Valor

A Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, está em negociações para a aquisição da Usina Rio Pardo, em Avaré (SP), que pertence ao grupo Zogbi, segundo reportagem do Valor Econômico nesta sexta-feira.

A transação poderia envolver a assunção de cerca de R$ 200 milhões em dívidas da usina pela Raízen, ainda de acordo com a publicação, que cita fontes com conhecimento do assunto.

Procurado pelo Valor, Fábio Zogbi, dono do grupo, confirmou que há conversas com a Raízen Energia em andamento, mas negou que esteja em discussão o repasse de parte das dívidas da Rio Pardo.

“Estamos fazendo uma negociação com a Raízen. Existem algumas conversas adiantadas. Não tem nada fechado ainda. Essa informação do valor e de que seria através de assunção de compromissos é equivocada”, afirmou. “Pode ser que não ocorra nenhuma negociação”, acrescentou.

A Raízen, por sua vez, negou à reportagem que existem negociações pelos ativos.

Empecilhos

Ainda conforme a reportagem, a Usina Rio Pardo vem enfrentando problemas de fluxo de caixa nas últimas safras, com dívidas de R$ 450 milhões e perspectiva de baixo desempenho operacional. A princípio, a companhia processaria 1,2 milhão de toneladas de cana na usina nesta safra, metade da capacidade total.

Como parte dessas dívidas estaria vencida, o grupo Zogbi começou a ser acionado na justiça por credores como o Banco Fibra, que demanda o pagamento de R$ 2,7 milhões. Já o Banco Indusval possui um crédito de R$ 9,8 milhões.

De acordo com o Valor, a justiça chegou a bloquear até R$ 1,9 milhão de uma dívida com certificados de recebíveis do agronegócio (CRA), administrados pela securitizadora Gaia Agro.

Além disso, para ser concretizada, a transação com a Raízen ainda precisaria ser acertada com a Albioma, que administra o parque de cogeração da Usina Rio Pardo. Em 2014, a Albioma adquiriu, por R$ 137 milhões, o direito de uso desse ativo pelo período de 20 anos.

Canaviais

A reportagem ainda aponta que, caso o negócio seja fechado, a Usina Rio Pardo passaria a integrar um "cluster" de usinas da Raízen na região.

Entre as unidades próximas estão as duas usinas do grupo Tonon adquiridas pelo grupo no ano passado e as unidades de Dois Córregos e Araraquara, que foram fechadas para priorizar a moagem nas usinas recém-compradas.

Além disso, a Raízen passaria a operar perto da única usina que o grupo Furlan deverá manter em operação nesta safra, após vender canaviais à própria Raízen.

Entretanto, fontes no mercado consultadas pela reportagem avaliam que a Raízen pode enfrentar dificuldades se adquirir a Usina Rio Pardo devido à falta de cana. Por causa do clima seco, a expectativa é que ocorra uma redução na produtividade até o fim da safra.

Inclusive, a Cosan já informou o mercado que a Raízen Energia deverá moer menos cana nesta temporada, entre 62 milhões e 66 milhões de toneladas. Na safra passada, a empresa moeu 61,2 milhões de toneladas, inclusive abaixo do previsto inicialmente.

Com informações adicionais do Valor Econômico

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