Pedra Angular faz proposta única para comprar usina São Fernando

A empresa Pedra Angular Açúcar e Álcool Participações e Administração, que representa um grupo formado por três investidores brasileiros, apresentou a única proposta de compra da Usina São Fernando, localizada em Dourados, a 233 km de Campo Grande.

Com pelo menos mil funcionários e responsável em injetar R$ 50 milhões na economia local em sete meses, a usina pertencia à família do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula e já condenado na Operação Lava Jato.

Na sexta-feira (16) às 13h50, um representante da empresa entregou um envelope lacrado na 5ª Vara Cível de Dourados com a proposta para comprar a indústria. Iniciado no dia anterior, o prazo terminou no dia seguinte e nenhuma outra proposta foi apresentada.

A Pedra Angular representa um grupo de investidores formado pelo economista Winston Fritsch que integrou a equipe do Plano Real em 1993, no governo Itamar Franco, Rodrigo Aguiar que presidiu a Tonon Bioenergia e trabalhou em bancos e Paulo Vasconcellos, também do mercado financeiro e fundador da Energias Renováveis do Brasil.

Na quinta-feira (22), o juiz Jonas Hass Silva Júnior, que decretou a falência da usina e comanda o processo de venda, vai abrir o envelope e avaliar a proposta.

Ele pode decidir de imediato se aceita ou não a oferta, mas o Campo Grande News apurou que o magistrado deve submeter a proposta aos credores da São Fernando, na assembleia marcada para o dia 1º de março. Se não tiver quórum, a segunda convocação foi marcada para 12 de março.

Desde junho, quando foi decretada a falência, a usina é gerenciada pela administradora judicial VCP (Vinícius Coutinho Consultoria e Perícia), com sede em Campo Grande.

Essa é a segunda tentativa de venda da São Fernando. A primeira ocorreu no dia 20 de setembro, quando foi fixado valor de R$ 716 milhões para a venda, mas nenhuma proposta foi apresentada. Nessa segunda tentativa não houve valor mínimo estipulado.

Em outubro do ano passado, o grupo liderado por Winston Fritsch apresentou proposta de R$ 890 milhões para comprar a São Fernando, mas o BNDES, maior credor da usina, foi contra a transação.

O banco público alegou que a proposta contrariava a Lei de Falências, pois a alienação do ativo deve ser aprovada por dois terços dos credores. Para o BNDES, o grupo ofereceu um “valor irrisório” pelo ativo e queria pagar em 20 anos, sem correção.

Para o banco, o leilão aberto era “a melhor forma de dar transparência à alienação do ativo e a maneira mais eficaz de se apurar o que de melhor o mercado pode oferecer”. Entretanto, a única proposta foi exatamente do grupo rejeitado pelo BNDES.

Helio de Freitas

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