Credores da Tonon aprovam venda de usinas para Raízen

Em recuperação judicial, Grupo Tonon colocou em leilão duas usinas para pagar seus credores e reduzir suas dívidas

A Raízen Energia, joint venture entre os grupos Cosan e Shell, venceu na última sexta-feira (16) o leilão judicial e vai ficar com duas usinas de açúcar e álcool que pertencem ao grupo Tonon Bioenergia. A companhia fez uma oferta de R$ 823 milhões pelas duas unidades que ficam no interior de São Paulo.

Em recuperação judicial desde 2015, a Tonon colocou à venda duas de suas três unidades. Apenas dois grupos fizeram oferta pelos ativos da companhia. Além da Raízen, também participou do leilão o grupo Suem, de São Paulo. A Tonon pretende manter sua terceira usina, no Estado vizinho de Mato Grosso do Sul.

As duas unidades adquiridas pela Raízen são consideradas estratégicas para a companhia, uma vez que complementam os negócios a do grupo nas regiões de Araraquara e Jaú, segundo fontes ligadas à empresa.

Em nota, a Cosan informou que “a aquisição do grupo Tonon é um importante passo para a companhia, em linha com sua estratégia no mercado sucroenergético. Trata-se de um grupo bastante respeitável e tradicional do setor, com duas unidades estrategicamente localizadas próximas às suas áreas de atuação, que permitirá acesso a mais de 60 mil hectares de áreas cultiváveis e com expectativa de moer 4,9 milhões de toneladas de cana por ano”. A conclusão do negócio, contudo, depende de trâmites relativos à recuperação judicial em curso.

Maior produtora de açúcar do mundo, a Raízen tem 24 usinas de açúcar e etanol no Brasil. Com capacidade para moer 68 milhões de toneladas por safra, a compra das duas usinas da Tonon elevará a produção da companhia para 73 milhões de toneladas/ano.

Dilema para credores

Segundo o Valor Econômico, em reportagem publicada antes da aprovação da venda, a proposta de aquisição feita pela Raízen inclui pré-condições que poderiam gerar um impasse entre a atual administração da Tonon e os credores, mais especificamente Rhodia e a Brookfield.

Isso acontece porque as companhias – que até então administram as unidades de cogeração das usinas Santa Cândida (Rhodia) e Paraíso (Brookfield) – já possuem contratos estabelecidos que envolvem previsão de entrega de biomassa de cana em troca de uma parcela da energia cogerada com prazos para até 2042. A Raízen solicitou a possibilidade de renegociar esses contratos.

Conforme o Valor, segundo a pré-condição apresentada pela Raízen Energia, a atual administração da Tonon, que permanece apenas com a Usina Vista Alegre, ficaria responsável por resolver essa renegociação e acertar os volumes de biomassa a serem entregues. Contudo, o edital de venda das unidades não prevê a possibilidade de negociação de pré-condições por parte dos compradores interessados.

Segundo fonte que acompanha a empresa, a Tonon não está cumprindo a entrega de biomassa desde o ano passado.

Atualmente, Rhodia e Brookfield figuram na lista de credores da Tonon, mas os valores de crédito apresentados por ambas considerou o descumprimento total do contrato e estão sendo questionados pela atual administração da companhia sucroalcooleira.

Mônica Scaramuzzo
Com informações adicionais do Valor Econômico e edição novaCana.com

Etanol e Cana direto em seu email

Antes de sair, cadastre-se para receber as principais notícias do setor
Obrigado, não quero ficar informado.
Esqueci minha senha close modal