Credores reclamam de atraso nos pagamentos de usina falida de João Lyra

Representante da empresa afirma que não há atraso no pagamento e que o tempo de processo segue normal. Uma manifestação foi realizada na última semana.

Credores da massa falida do Grupo João Lyra e ex-trabalhadores da Usina Triálcool, além do comércio e da Prefeitura de Capinópolis, reclamam do prejuízo causado pela falência da empresa em 2013, que deixou milhões em dívidas.

Representantes da empresa afirmaram que não há atraso no pagamento e que o tempo de processo segue normal.

O produto rural, José Antônio Maximiliano, teve mais de R$ 1 milhão em prejuízo e trocou a cana-de-açúcar pela produção de milho após um acordo com a empresa não ser cumprido. “O que eles me devem está na justiça, que determinou o pagamento, mas até hoje não tem respaldo nenhum”, disse.

José faz parte dos 40 produtores da cidade que deixaram de arrendar terras para o cultivo da cana. Na cidade, mais de 25 mil hectares eram usados no plantio para a usina, que decretou falência em 2014.

O ex-funcionário, Edvan da Silva Lima, trabalhou por cerca de sete anos na usina em Capinópolis e disse que não recebeu o acerto. “Se esse dinheiro viesse era bom para todo mundo, você compraria materiais para reformar a casa, é muito dinheiro envolvido, até o comércio de Ituiutaba iria melhorar”, disse.

William Geraldo de Alcântara também é ex-funcionário e disse que a empresa já está recebendo verba dos novos compradores. “Inclusive tem R$ 88 milhões em conta e neste mês cai mais uma parcela de mais de R$ 50 milhões dos novos compradores”, afirmou.

Com a crise no campo, o mercado imobiliário da cidade também sofreu uma queda. De acordo com o dono de uma imobiliária, Flávio Carlos de Almeida, a procura por alugueis caiu 50% e que na época chegou a negociar até 200 imóveis em um só mês.

Segunda a Prefeitura de Capinópolis, a falta de pagamento de impostos também gerou um prejuízo de mais de R$ 6 milhões para os cofres públicos.

A reportagem entrou em contato com os responsáveis pela usina e o administrador judicial da massa falida das usinas, José Luiz Lindoso, enviou nota afirmando que não há atraso uma vez que o processo de pagamento já está se iniciando, e que o tempo de processamento dos referidos pagamentos é perfeitamente normal considerando que compreende mais de 18.000 pessoas em vários estados.

Além disso, afirmou que os valores da venda das usinas quando totalmente recebidos, considerando que a venda foi a prazo, serão suficientes para pagar a totalidade dos credores trabalhistas.

Manifestação

Na última segunda-feira (7), um grupo de manifestantes fechou a BR-365 próximo a Ituiutaba. A rodovia foi interditada nos dois sentidos e um grande congestionamento se formou. Segundo as informações da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), que acompanhou o ato para garantir a segurança dos usuários, a manifestação iniciou por volta das 7h30.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Uberlândia também foi acionada para dar apoio na ocorrência e informou que a rodovia foi interditada pelos credores da massa falida do Grupo João Lyra e ex-trabalhadadores da Usina Triálcool, que reivindicam os pagamentos em atraso após falência de empresas.

Falência e leilões

A falência das usinas pertencentes ao grupo, incluindo as sediadas em Canápolis e Capinópolis, foi decretada pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) em 2014. Mas a empresa tentava se recuperar judicialmente desde 2008, acumulando uma dívida bilionária. Em outubro de 2015 foi determinado pela Justiça que as usinas fossem leiloadas.

A Usina Vale do Paranaíba, em Capinópolis, tem uma área total de 3.210 hectares e foi avaliada em R$ 206.358.000. A capacidade de moagem é de 1,7 milhão de toneladas de cana por safra. A unidade foi vendida para o Grupo Japungu, que atua no ramo do açúcar e do etanol e tem usinas na Paraíba (PB) e em Goiás (GO).

A Usina Triálcool, localizada em Canápolis, foi avaliada em R$ 233.043.700 com uma área total superior a seis mil hectares e capacidade de moagem de 1,8 milhão de toneladas de cana por safra. Ela foi arrematada por R$ 133.826.220 pela Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA).

Ainda em 2014, trabalhadores das usinas começaram a reivindicar os salários atrasados na região. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canápolis chegou a informar, na época, que quase mil pessoas estavam aguardando o recebimento das verbas rescisórias.

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