Duas usinas pelo preço de uma: Renuka apresenta novo plano de recuperação judicial

Entre as propostas está o arrendamento da Usina Madhu para os compradores da Usina Revati

A princípio, uma recuperação judicial tem uma sequência lógica de acontecimentos. Uma empresa em dificuldades e prestes a falir solicita na justiça a medida; caso o juiz aceite, ele estipula uma administradora que cuidará do caso e participará da elaboração de um plano de recuperação. Com o plano aceito pelos credores e pela justiça, ele entre em fase de execução. Ao final, a ideia é que a companhia tenha se recuperado financeiramente.

Na prática, nem sempre as coisas acontecem como o esperado. Contudo, o caso da Renuka do Brasil – com duas usinas em São Paulo – está sendo particularmente enrolado. Em recuperação judicial desde outubro de 2015, a companhia ainda luta para conseguir um acordo com seus maiores credores.

Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, na última quarta-feira (27), véspera da assembleia de credores, a empresa protocolou na Justiça uma nova proposta – o que levou à suspensão da assembleia. Agora, os credores terão até o dia 19 de julho para avaliar o novo plano e votar pela sua aprovação ou pela falência da companhia.

Venda de uma usina – e arrendamento de outra

O novo plano prevê a venda da Usina Revati, em Brejo Alegre (SP), com a possibilidade de arrendamento dos equipamentos ou até mesmo de toda a Usina Madhu, localizada em Promissão (SP), para o comprador ou, ainda, para outro interessado.

O objetivo é amenizar um dos pontos mais problemáticos do plano apresentado anteriormente, que previa a paralisação da Usina Madhu por três anos. Segundo a reportagem, fornecedores da região – que estão com cana em pé – começaram a militar pela decretação da falência da companhia. Segundo fonte envolvida nas negociações, eles acreditam que, dessa forma, poderiam assumir a operação da usina.

Ainda conforme o Valor, a proposta também gerou indignação entre políticos da região, pois o fechamento da usina iria resultar em redução de arrecadação de impostos e desemprego – um quadro similar ao visto em Flórida Paulista (SP), que passou a ocupar a última posição no ranking de desenvolvimento econômico reduzido após o fechamento da Usina Floralcool.

Atualmente, a Renuka do Brasil emprega cerca de 3,5 mil trabalhadores nas duas usinas, mas a companhia já teve cerca de 6 mil funcionários. Só no final do ano passado, cerca de 800 pessoas perderam seus empregos.

Credores terão crédito e poder de aprovação

Outra novidade do plano apresentado é a possibilidade de os credores participarem do leilão através da conversão de créditos em participação, o que atende uma reivindicação dos bancos para dar valor econômico aos créditos. De acordo com uma fonte consultada pelo Valor, há bancos que podem se interessar em vender seus créditos para investidores potenciais na Usina Revati.

Além disso, o novo plano também prevê que a proposta vencedora do leilão precisará passar pelo crivo dos credores. Com isso, a Renuka pretende evitar lances muito baixos, que não sejam capazes de garantir o pagamento dos credores. Atualmente, a dívida da companhia ultrapassa os R$ 3 bilhões.

Interessados

Ainda segundo a fonte consultada, a participação de investidores que já haviam se habilitado para participar do leilão da Usina Revati deve ser mantida.

Conforme a reportagem, além da gestora de fundos americana Castlelake, um ‘fundo abutre’ também se habilitou para dar lance no leilão. Trata-se de uma sociedade constituída nos Estados Unidos sob o nome Brazil S&E e gerida por fundos administrados pelo Citigroup e pela gestora de fundos OnePartners.

Em 2017, tanto Raízen quanto Biosev – duas das maiores sucroenergéticas brasileiras – negaram interesse em participar do certame.

novaCana.com
Com informações do Valor Econômico

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