Sem canaviais, Grupo Furlan concentra esforços em Avaré (SP)

Com venda dos ativos para os grupos Raízen e São Martinho, empresa centenária do setor de açúcar e etanol deve ser desativada em Santa Bárbara d'Oeste

Os grupos Raízen e São Martinho anunciaram nesta sexta-feira a assinatura do contrato para a compra dos chamados “ativos biológicos” do Grupo Furlan que abastecem a centenária usina de Santa Bárbara d’Oeste. O objetivo da família Furlan é concentrar investimentos e esforços de gestão em sua planta de Avaré, já que a região possui mais áreas para expansão da atividade agrícola.

O negócio anunciado nesta sexta-feira resultará na desativação da unidade, que produz açúcar há 107 anos e etanol há 39 anos. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de Piracicaba e Região (Stiap), a empresa conta hoje com aproximadamente 250 funcionários.

Para o presidente da entidade, Fanio Luís Gomes, a assinatura do contrato praticamente decreta o final da unidade produtora. “Se venderam a cana é porque não vão moer mais. A diretoria nos garantiu que, saindo o negócio, nós seriamos comunicados para estabelecer a data de pagamento para os trabalhadores. Acredito que não haverá problemas nesse sentido”, disse.

As empresas que compraram os canaviais possuem ações negociadas na Bolsa de Valores e, por conta disso, divulgaram comunicados ao mercado de ações sobre a transação. Neles, a informação é de que a operação deve girar em torno de R$ 118 milhões por um milhão de toneladas de cana-de-açúcar produzidos anualmente pelo braço agropecuário da empresa barbarense. Desse total, 70% são produzidos em terras da própria Furlan, que serão arrendadas, e os outros 30% por produtores que mantém contrato de fornecimento com o grupo.

Como a operação de venda dos ativos precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) – o que pode levar meses – as partes teriam firmado um segundo contrato, para venda da safra deste ano.

Dois terços desse montante serão processados para Raízen e o terço restante pela São Martinho, que já anunciou que a matéria-prima será enviada para sua unidade em Iracemápolis. “Tais investimentos permitirão aumentar a produção por safra em até 30 mil toneladas de açúcar ou 30 mil metros cúbicos de etanol, além de adicionais 18 mil MWh de energia”, diz a nota divulgada pela São Martinho.

“A operação está em linha com a estratégia da companhia de alavancar a disponibilidade de matéria-prima (cana-de-açúcar) e buscar oportunidades de negócio nas áreas geográficas em que atua, sempre pautada pela segurança, inovação e melhores práticas no setor sucroenergético”, afirmou, também em nota, a Raízen.

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