Bunge pretende lançar IPO das 8 usinas de cana que tem no Brasil, ainda este mês

A Bunge, gigante global do agronegócio, alimentos e energia, deve colocar suas operações de moagem de cana-de-açúcar no Brasil em oferta pública inicial (IPO) ainda este mês. A declaração foi feita pelo CEO da empresa, Soren Schroder, na última quarta-feira (02). Com essa decisão, a empresa espera recuperar os prejuízos dos últimos meses.

No processo, a Bunge obteve financiamento das dívidas para as unidades de moagem de cana que, agora, teriam condições de operar de forma independente. “Estamos preparados para dar o próximo passo na forma de uma IPO caso os mercados também estiverem, digamos, abertos e derem o preço adequado [aos papeis]”, afirmou Schroder ao divulgar balanço com saldo negativo nos últimos meses.

A empresa, com sede em White Plains, no estado de Nova York, vem tentando se retirar das operações de moagem de cana-de-açúcar no Brasil – um dos maiores produtores do mundo – desde 2013, quando a saturação dos mercados derrubou o preço da commodity e dificultou a perspectiva de lucro com as operações envolvendo a cana-de-açúcar.

“Estamos preparados para dar o próximo passo na forma de uma IPO caso os mercados também estiverem, digamos, abertos e derem o preço adequado [aos papeis]”, CEO Soren Schroder

A divisão de açúcar e bioenergia da multinacional teve prejuízo de 20 milhões de dólares no último quadrimestre, encerrado em 31 de março deste ano, em comparação às perdas de 11 milhões no mesmo período do ano passado. A previsão da empresa é de quedas ainda maiores no lucro das unidades produtoras de açúcar em 2018 – entre 40 e 70 milhões de dólares, por conta, principalmente, dos preços baixos do açúcar no mercado global.

A Bunge é um dos maiores players na indústria global de açúcar, tanto na produção quanto na comercialização da commodity. Suas oito usinas no Brasil têm capacidade instalada para fabricar aproximadamente 20 milhões de toneladas de açúcar e etanol, de acordo com o website da companhia.

Os executivos da empresa dizem que as estimativas para o preço das unidades de moagem determinarão se a Bunge seguirá com oIPO, mas o apetite dos investidores para essa empreitada ainda é incerto. “Não saberemos enquanto não colocarmos à venda. Os investidores são capazes de entender que se trata de mais do que o preço do açúcar”, pondera Soren Schroder.

A Bunge declarou, em fevereiro, que também planejava deixar o negócio de compra e venda de açúcar para se concentrar em suas operações no mercado de grãos e oleaginosas, e que havia partes interessadas neste segmento. A empresa, porém, vem tendo dificuldade em vender as operações de comercialização, de acordo com especialistas no mercado de açúcar. “Estamos explorando diversas oportunidades no momento – se podemos ou não passar nossa carteira de vendas e clientes para outros players do mercado que valorizam esses capitais”, explicou o CEO da Bunge na última quarta-feira.

O executivo disse ainda que a empresa concluirá as conversas sobre as operações de comercialização de açúcar em breve, mas se recusou a dar uma data específica.

Tom Polansek/Reuters. Adaptação: novaCana.com

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