Abengoa Bioenergia Brasil entra com pedido de recuperação judicial

A Abengoa Bioenergia Brasil (ABBR), braço sucroenergético do conglomerado espanhol Abengoa, entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira, informou nesta terça-feira a empresa, em nota.

O pedido, que se soma outros do gênero de companhias do setor no Brasil, foi protocolado no Foro de Santa Cruz das Palmeiras, no interior do Estado de São Paulo. De acordo com o Valor Econômico, se for aceito pela Justiça, o número de unidades industriais do segmento no país protegidas judicialmente dos credores subirá para 54.

Em operação no Brasil desde 2007, a ABBR opera três usinas no interior paulista, uma em Pirassununga e outra em São João da Boa Vista e uma terceira em Santo Antônio de Posse, segundo o site da empresa.

“Durante os últimos 19 meses a ABBR tentou de forma ativa, e com a ajuda dos nossos mais importantes credores e assessores financeiros, atrair investidores que aportassem recursos ao negócio fora da RJ (recuperação judicial)”, afirmou a companhia, em nota.

Segundo a empresa, a “crise política e econômica” do Brasil, a queda dos preços do açúcar no mercado internacional e a falta de crédito ao setor contribuíram para essa situação.

“Nesse cenário apenas restou à entrada na RJ, para proteger os interesses de todos os nossos credores. A RJ permitirá estabelecer um plano de reestruturação para pagamentos das dívidas de acordo com as possibilidades do negócio”, destacou a companhia.

Além disso, a matriz da Abengoa na Espanha também enfrenta um processo de recuperação judicial naquele país e, no Brasil, o braço de transmissão de energia teve um plano de recuperação aprovado em agosto deste ano.

Endividamento e problemas na justiça

Nos últimos resultados financeiros divulgados pela companhia, a dívida superava o faturamento. No exercício 2015, encerrado em 31 de dezembro (último dado disponível), a companhia registrou receita líquida de R$ 673 milhões, enquanto o endividamento líquido estava em R$ 949 milhões.

Conforme o Valor Econômico, da dívida inscrita no pedido, R$ 800 milhões são devidos àqueles que não têm garantia real (quirografários). Estão nessa categoria diversos bancos, que em parte possuem alienação fiduciária. Entre esses créditos concursais também estão R$ 10 milhões devidos a pequenas e microempresas, além de R$ 3 milhões em créditos trabalhistas. A dívida que não se submete às regras da recuperação (extraconcursal) chega a R$ 200 milhões, montante que também inclui valores devidos a algumas instituições financeiras.

Ainda segundo a publicação, a empresa vinha tentando renegociar sua dívida com base em um plano de venda de ativos. “O paquistanês Fatima Group chegou a fazer due dilligence nas duas unidades paulistas no início do ano para avaliar a aquisição de ao menos uma delas”, relata.

O negócio não teria andado, entretanto, porque os processos esbarraram nos problemas da empresa na justiça e em dificuldades macroeconômicas. Segundo fontes do segmento consultadas pelo Valor, a existência de um inquérito a respeito da contratação de duas empresas pela Abengoa Bioenergia sem o recolhimento de impostos e da transferência de recursos da companhia para a matriz na Espanha, também sem pagamento de impostos, foi um fator decisivo.

Com informações adicionais do Valor Econômico e edição novaCana.com

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