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Ex-diretor do CTBE responde às afirmações de Cerqueira Leite em carta

Gonçalo Pereira se posiciona sobre afirmações do diretor do CNPEM após mobilização do setor de biocombustíveis em defesa do laboratório


novaCana.com - 11 dez 2017 - 16:12

Nesta segunda-feira (11), mais uma carta relacionada à situação Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) chegou ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A mensagem, assinada pelo ex-diretor do laboratório, Gonçalo Pereira, é uma resposta às afirmações do diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais (CNPEM), Rogério Cezar de Cerqueira Leite.

Na última sexta-feira, o novaCana publicou a carta do diretor do CNPEM, centro do qual o CTBE faz parte. O documento rebate outro manifesto, assinado por entidades ligadas ao setor de biocombustíveis, e contém afirmações direcionadas a essas instituições e ao ex-diretor do CTBE.

No novo documento, Pereira destaca alguns dos pontos-chaves da carta do diretor-geral do CNPEM, Cerqueira Leite. Um deles é o argumento de que a responsabilidade do laboratório se restringe à pesquisa. Em seu texto, Cerqueira Leite defende que o compromisso sobre a elaboração de políticas públicas e sua promoção deve ser do âmbito de dirigentes governamentais e associações privadas – e não de instituições de pesquisa, como o CTBE.

O diretor-geral do CNPEM ainda fez uma crítica aos contratos de prestação de serviço realizados pelo CTBE, que teriam servido “para desviar esforços” e poderiam ter sido assumidos por entidades privadas específicas.

Em relação a esses pontos, o ex-diretor do CTBE rebate, lembrando do Plano Diretor do CNPEM - período 2016-2021, onde consta que o primeiro objetivo estratégico do centro é “atuar como referência para a formulação de políticas públicas nas áreas de energia, materiais e biociências, contribuindo para sua implementação”.

Ele continua ao informar que, ainda segundo o Plano Diretor, entre as missões do CTBE está “contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico e o apoio à inovação nos setores de bioetanol, fontes renováveis de energia e insumos químicos da cadeia produtiva de cana-de-açúcar, com ênfase na realização de parcerias com o setor produtivo”.

Dessa forma, o ex-diretor do CTBE argumenta que os projetos e workshops estratégicos realizados – dois deles dedicados ao RenovaBio – serviram para o cumprimento dessa missão institucional, também trazendo o setor produtivo para dentro das instalações do CTBE. “Essas ações, em particular esses eventos, foram amplamente divulgados, contaram com total apoio da diretoria-geral, que inclusive fez a abertura do primeiro evento dedicado ao RenovaBio”.

Outro ponto respondido pelo ex-diretor é quanto às afirmações de Cerqueira Leite sobre os contratos realizados pelo CTBE. Em sua carta, o diretor-geral do CNPEM escreveu: “Convém deixar claro que nenhum contrato de pesquisa foi assinado durante a administração do Prof. Gonçalo Pereira. Os inúmeros contratos mencionados foram contratados em administrações anteriores”.

Sobre isso, Pereira afirma que o CTBE “teve enorme sucesso em fechar contratos de desenvolvimento tecnológico de valores expressivos, em particular um de R$ 10 milhões com importante empresa de energia”. O nome da companhia em questão, entretanto, não foi mencionado na carta ao ministro.

O ex-diretor ainda lista que o CTBE, em resumo, teria: “15 projetos em execução; 10 projetos em contratação, com valores da ordem de R$ 16,6 milhões; 17 projetos em negociações adiantadas, no valor de R$ 10,3 milhões e 20 projetos em negociações iniciais, no valor de R$ 12,2 milhões”.

Gonçalo Pereira também assinala em sua carta que as demissões teriam paralisado as atividades de processos biotecnológicos e planta industrial “afetando ou inviabilizando a maior parte dos contratos já celebrados (ou em negociação/contratação) com empresas do setor privado”.

Além do desligamento do ex-diretor, cerca de 40 profissionais da equipe do laboratório – de um total de 130 – foram demitidos no centro.

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