Bill Gates une-se a investidores bilionários e lança fundo para investir em energia limpa

Bill Gates está liderando a criação de um fundo de investimentos de mais de um US$ 1 bilhão para fomentar a inovação no setor de energia limpa e combater as mudanças climáticas.

O cofundador da Microsoft, juntamente com um time de astros do mundo dos negócios, anunciou nesta terça-feira (dia 13) a criação do Breakthrough Energy Ventures (BEV), que deve começar a atuar em 2017. Com duração prevista de 20 anos, o fundo visa a investir no aproveitamento comercial de novas tecnologias que reduzam emissões de gases de efeito estufa em setores como geração e armazenamento de eletricidade, transporte, processos industriais, agricultura e eficiência de sistemas energéticos.

“Estamos abertos a tudo que contribua para a obtenção de energia limpa, barata e viável” Bill Gates

Gates assumiu a presidência do BEV e já antecipou estar ativamente envolvido na concretização do projeto.

O conselho diretor do BEV contará com: Jack Ma, fundador do Alibaba; Mukesh Ambani, presidente da Reliance Industries; os investidores de risco John Doerr e Vinod Khosla; John Arnold, ex-gestor de um hedge fund de energia; e Hasso Plattner, cofundador da SAP. Somadas, as fortunas dos membros da diretoria chegam a quase US$ 170 bilhões, segundo estimativas de patrimônio pessoal divulgadas por Bloomberg e Forbes.

No ano passado, Gates havia anunciado a intenção de investir pessoalmente mais de US$ 1 bilhão em tecnologias para geração de energia limpa. Ele também estava entre os 28 indivíduos e famílias afluentes que subscreveram o Breakthrough Energy Coalition, grupo que se comprometeu a fazer investimentos neste setor. O novo fundo, do qual vários deles fazem parte, é um passo concreto na direção de efetivamente desembolsar o capital.

Gates se diz surpreso com o fato de haver pouca discussão sobre inovações tecnológicas para solucionar o problema da mudança climática, uma vez que novos progressos com energia limpa poderiam limitar possíveis desvantagens econômicas decorrentes da substituição de combustíveis fósseis emissores de carbono. “Isso tudo se dá dentro da mecânica normal do mercado, à medida que se substitui fontes de energia por novos métodos”, explica o fundador da Microsoft.

A expectativa é que o tamanho inicial do fundo seja incrementado com a entrada de novos investidores, e é possível que a Breakthrough Energy Ventures lance recursos adicionais no futuro

Recentemente, porém, muitos dos que apostaram neste mercado acabaram amargando prejuízos. Um estudo estima que no período entre 2006 e 2011, as firmas de capital de risco investiram acima de US$ 25 bilhões em tecnologias de energia limpa e perderam mais da metade desse dinheiro. Isso acabou limitando o investimento institucional na área, um malogro que Gates e seus colegas investidores acreditam poder ser revertido mediante vultosos investimentos privados de longo prazo.

Gates reconhece que investir em energia é mais complicado do que investir em tecnologia da informação: “As pessoas acham você pode simplesmente botar US$ 50 milhões lá, esperar dois anos e ver os resultados. Nesta mundo da energia não é assim que as coisas funcionam”.

Ele acrescenta, porém, que este é um campo de investimento pouco explorado. “É um mercado tão grande que o retorno, caso você de fato forneça uma fatia importante da energia mundial, o retorno disso será enorme, enormemente grande.” Pelas estimativas do BEV, o mercado global de energia corresponde a US$ 6 trilhões, com a demanda energética devendo crescer em um terço até 2040.

A iniciativa do BEV casa bem com o entusiástico interesse de Gates por pesquisas científicas e sua experiência com investimentos em tecnologia energética. O empresário realizou extensos investimentos em diversas empresas do setor ao longo dos anos, como a start-up de energia nuclear TerraPower, que ajudou a lançar e da qual é presidente. A promessa recente de investir US$ 1 bilhão inclui investimentos feitos subsequentemente, além deste fundo e outras apostas futuras.

Numa primeira fase, os recursos do BEV devem se concentrar em tecnologias para armazenamento de energia, já que métodos de armazenamento mais baratos e eficientes podem propiciar maior sustentação para fontes de energia limpa intermitentes, como a solar e a eólica.

Uma das teses que movem o fundo é a de que somente os governos dispõem de recursos para investir em pesquisa de base na escala necessária para se alcançar saltos tecnológicos, por meio de laboratórios estatais e concessão de verbas de pesquisa para universidades.

A alocação de verbas públicas nas áreas de tecnologia para baterias e materiais para geração de energia solar, por exemplo, forneceu um importante impulso para essas áreas, possibilitando que num estágio posterior o setor privado investisse no uso comercial dessas tecnologias.

“É preciso investimento para que essas coisas não fiquem confinadas aos laboratórios acadêmicos de Stanford, Berkeley ou do MIT, por exemplo, entre tantos outros lugares. Eles estão fazendo muita pesquisa”, afirma Arun Majumdar, professor da Universidade de Stanford que atuou como subsecretário de Energia dos Estados Unidos e está prestando consultoria ao BEV.

No ano passado, Gates anunciou uma iniciativa chamada Mission Innovation, que prevê que 22 países mais a União Européia dupliquem investimentos em pesquisa voltada para energias limpas nos próximos cinco anos. Os Estados Unidos são um dos países signatários da iniciativa, mas o presidente eleito Donald Trump e seus indicados são manifestamente céticos quanto às mudanças climáticas, o que põe em dúvida se esses investimentos serão mesmo realizados.

“O diálogo com o novo governo, em relação a como eles encaram as pesquisas no setor energético, será importante”, diz Gates. “Felizmente, a ideia de que pesquisa é um bom negócio transcende divisões partidárias”. 

O maior grupo de investidores bilionários já reunido?

Gates e seus parceiros reuniram-se pela primeira vez em agosto, por dois dias, no hotel Four Seasons de Seattle. O evento contou com palestras de Jack Ma e Hasson Plattner, e foram decididas as diretrizes do fundo. Um dos tópicos discutidos, segundo John Arnold, foi se é possível contar com uma boa malha de empresas para sustentar o projeto, e em quanto tempo os investimentos poderiam começar.

“O fato de sermos um fundo de capital paciente, com 20 anos de prazo e sem a necessidade de ganhos imediatos, permite que tenhamos uma perspectiva mais ampla e possamos financiar tecnologias que não se adequam ao modelo tradicional de investimento de risco que temos atualmente”, diz Arnold.

A lista com os nomes dos 20 investidores iniciais do fundo é ainda mais abrangente como catálogo dos ricos e poderosos do mundo, contando com o Príncipe Alwaleed bin Talal, da Kindom Holding; Jeff Bezos, da Amazon; Richard Branson, da Virgin; Ray Dalio, da Bridgewater Associates; Patrice Motsepe, da African Rainbow Minerals; Xaviel Niel, do Iliad Group; Masayoshi Son, do SoftBank; além de Zhang Xin e Pan Shiyi, da Soho China.

No momento, os diretores estão recrutando uma equipe de gestores para o fundo, cujo núcleo Gates espera que seja definido dentro de no máximo três meses.

O fundo não cobrará tarifas administrativas para além dos custos operacionais, e provavelmente começará com uma sede temporária no coração do setor de investimentos de risco nos Estados Unidos: Sand Hill Road, em Menlo Park, Califórnia. A expectativa é que o tamanho inicial do fundo seja incrementado com a entrada de novos investidores, e é possível que a Breakthrough Energy Ventures lance recursos adicionais no futuro.

Segundo Gates, o sucesso do empreendimento depende da angariação de um capital bem maior do que o US$ 1 bilhão injetado no fundo. O empresário pretende tratar pessoalmente com empresas de energia e outros potenciais parceiros estratégicos para convencê-los a investir e criar as condições estruturais para avanços tecnológicos promissores.

Kevin J. Delaney

Quartz - Tradução e adaptação novaCana.com

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